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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sentir


E para ser sincera assumiu. Sentira falta dele. Sentira falta do que era com ele, do que eram, do que foi.
Sentira falta de trocar palavras, frases, emotions. Sentira falta de saber como tinha sido seu dia, da expectativa de seu dia, de planejar encontros.
Sentira falta de acompanhá-lo no transito, ou apenas avisá-lo daquela passeata que atrasaria o percurso dele até a casa.
Sentia falta de ver mensagens em seu celular e a esperança de vê-las sempre a incomodava, seja no dia a dia, na mesa do escritório, em sua casa, ou até mesmo a procura do celular dentro da mochila durante o treino.
E para ser sincera desejava gritar para que todos pudessem ouvir. Desejava gritar até ficar rouca ou mesmo muda.
Desejava tanto que desejou contar-lhe este segredo.

E ela sentia falta. Enviava mensagens em vão...
Era uma espécie de desabafo. Precisava compartilhar... Precisava contar, precisava assumir o quanto e o tanto que sentira falta. Mesmo que em segredo.
Acordara todos os dias e ia dormir todas as noites com o mesmo desejo.
Queria acordar deste sonho que se tornara seu cotidiano. Eram dias de sonhos ruins. Dias repletos de saudades...
Um oceano de saudades, no qual um dia se afogaria caso não acordasse....

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Detalhes

É difícil controlar. Manter o controle quando não se sabe sobre o que realmente.
Desejo: gritar, espernear, apalpar, implorar.
Desejo: nada. Simplesmente nada. Alem de... Desejar.
E são os detalhes que irritam. Que atrapalham que faz retroceder. Uma volta ao que aconteceu. Ao o que foi bacana, legal, importante, irrelevante.
Escolha o seu adjetivo apropriado.
E está nos detalhes. No trânsito, no sorriso, no gesto, na foto. Na embalagem de bombom. Na cor da embalagem do bombom. No esmalte. A merda está nos detalhes.
Está em acordar no meio da noite e jurar que alguém está te abraçando. É escutar o ronco de quem está ausente. É ir almoçar sozinha no Burguer King lembrando que um dia vocês iriam juntos.
E vocês iriam juntos a muitos lugares ainda, faltava gastar mais alguns cupons, ir a drinqueria, ir aquela balada fim de carreira, ir ao restaurante no qual a porção de bacon seria feita exatamente para ele. Faltava ainda usufruir daquele quarto de motel, daquela hidromassagem, compartilhar garrafas de ice, aquecer e esquentar o corpo um do outro.
E você já sente falta dos olhos deles te procurando na balada. Das mãos dele envolvendo sua cintura, dos lábios dele nos seus, de tantas coisas que ainda não viveram.
E a merda está nos detalhes da imaginação de um futuro que vocês não tiveram...
E você se surpreendeu com o novo, com o ex-colega de trabalho, ex-vegetariano, ex tanta coisa. Agora você surpreendera, pois ele desejava ser seu ex-amor, ex-ficante, ex-eguete, ex-amante.
E você se surpreendeu quando soube que ele gostava de Raul, quando ele disse saber o que o seu olhar falava, quando ele deixou de cutucar no facebook...
E você se surpreendeu no dia que ele disse que tentaria, e no outro tudo tinha chegado ao fim.
E você se surpreendeu desejando que nada disso acontecesse... E você sempre acaba caindo nos detalhes...
Nos livros, nos amigos, nos vestidos, no espelho, no esmalte, no cheiro.
O cheiro do perfume que fora comprado, mas não fora dado...
E são todos e tantos detalhes...

Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver...
Roberto Carlos

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mais uma vez

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão...
Fernando Pessoa

Tudo não podia passar de um sonho, ou o pesadelo.
E é assim ao ver que seu relacionamento chega ao fim. Principalmente quando a decisão não vem da própria pessoa, e se acaso viesse o pensamento poderia ser o oposto, depende do referencial.
as vezes poderia ser a realização do sonho. Estaria no paraíso.
A questão é: Fim de um relacionamento dói. Dói de saudade, dói de medo, dói de insegurança. Dói de lembrar-se dos momentos bons, pois parece que só houve os momentos bons. Dói de pensar nos amigos em comum, das novas amizades, de saber que tudo que fora vivido pode estar chegando ao fim. Dói de imaginar que não haverá contato. De que não haverá compartilhamento. E é a hora que o outro termina o que você sempre diz para todos os conhecidos vira desaprendizado para si. A vontade é de pegar, apertar, arranhar, bater e suplicar para que não chegue ao fim, para que exista uma esperança, uma chance, uma oportunidade.
Começou bem, em toques, olhares e palavras e o fim não há nada disso, além de uma das partes desejando o toque, o olhar, a palavra que não sai. E quando o termino não há nem olhares acusadores, nada além de palavras digitadas?
Deseja se uma nova tentativa. E quem não quer? Voltar para os braços quentes, ver o sorriso lindo, tímido e uma piscadinha de olhos apaixonante. Ou quem não quer apenas voltar para a pessoa amada e desajeitada que conquista... A pessoa que conquistou. Seja no álcool, nos assuntos divergentes, nos livros, ou em algo sem explicação.
A pessoa entra na vida da outra provoca furacões, sensações, explosões e the end. Foi bom enquanto durou.
E não há comunicação, não há briga, não há nada mais. Simplesmente o inicio e o fim. E o meio?
Acabou a paixão, a atração, o interesse. Chegou ao fim. Para que comunicar no fim de tudo? E o processo? A tentativa de melhora? Todos merecem a chance. Todos merecem saber o que há de errado antes do fim.
E tudo vira interrogação, reticências, a mente perturba o corpo e o coração. Ambos ficam desorientados sem saber quando foi que tudo acabou, onde tudo se perdeu.
E resta a vontade de saber, tentar mais uma vez...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O oposto


Não era questão de controle. Era só querer.
Ela quis e conseguiu, por alguns dias. Várias horas.
Mas não quer dizer que ela prestou atenção no tempo, ela não observou tanto.
É que agora... ela não quis. E ela perdeu o controle.
Mesmo sabendo que o tempo não era viável, mesmo sabendo que sua resposta seria o não, mesmo sabendo que não deveria agir. Ela fez tudo o oposto.
Ela o procurou. Ela o desejou. Ela queria. Queria o descontrole.
Queria que houvesse um tempo, acreditou nas horas a mais. Fez com que fosse possível seu dia passar das 24 h. Acreditou sozinha e assim ficou.
Mesmo sabendo do não, tentou o sim. Sabia da impossibillidade, incompatibilidade. Sabia, saberia, soube e teve certeza.
Leu, releu, entendeu e compreendeu.
Fizera o oposto de tudo. Oposto do que podia, do que deveria.
E agora pensativa questionava-se o porquê de tudo aquilo. Por quê fizera isso?
São duas em uma. A razão e a paixão. O certo e o errado. Doida e santa.
"Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa.”
Adélia Prado

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mais um desejo


A roupa espera pra ser dobrada. A louça está na pia. A casa na maior desordem, assim como ela.
Na trilha sonora Kid Abelha canta “por que não eu?”, “Grand Hotel” entre outros...
Ela não sabia se queria que fosse assim, não sabia se queria avançar ou recuar. Não queria adiar o inadiável, mas não estava a fim de encarar.
Estava na maior desordem, uma bagunça, desregulada. Nada estava previsível. Era uma fase irregular. Volúvel, instável. Confusa.
E agora o som é “Quero fazer amor de madrugada...” e ela quer encontrar, ir ao encontro, encarar o que tiver de ser.
E desejava não perder. Não perder o controle, não perder o carinho, não perder o companheiro.
O cumprimento nas manhãs, ou o “boa noite”. Um simples beijo ou emotion.
Era difícil entender o porquê as pessoas entram na vida de alguém, revira a vida, revira a alma, desperta sonhos, faz nascer borboletas, flores, colore a vida e simplesmente foi bom enquanto durou.
E ela não queria o passado conjugado. Poderia ser bom, poderia ser melhor. E ela não queria perder.
Era fase de fragilidade, sensibilidade, de carência. Precisava de cuidados, carinho, atenção. Precisava de alguém. Precisava dele.
Estava em dias atípicos, desejando além da conta. Querendo mais do que posso suportar, sufocando.
Matando.
E quem sabe um dia poderia renascer, ser. Diferente do que fora até aquele instante. Aquele momento.
E assim o adeus não chegaria.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Descontrole bom

De repente percebeu que andava no ápice do descontrole.
Era um descontrole psicológico, emocional, amoroso, financeiro.
Nada estava sob controle.
Não precisava de dias de distancia para sentir saudades, não precisava de um motivo para querer presentear, e, ela os estocava esperando o momento exato para presenteá-lo. Bobeiras de paixonite.
E o pensamento a levava sempre ao encontro dele. Ela que já planejou brigas, términos. Ensaiou acabar com o descontrole que ele causava nela. Tudo em vão. Do lado dele ela não tinha controle. Desejava sempre se acabar naquele corpo, naquele momento. Era tudo, e, todo eternizado.
Ela sofria de problemas com a intensidade. Nada estava sob controle.
Não conseguia mais disfarçar, esconder. Era tudo claro, lipídeo, transparente, incolor. E era tudo isso. Era vontade, desejo, necessidade. Carinho, atenção, cuidado, companheirismo.
E isso era tão contrário a tudo que ela vivera. Isso tudo a assustava, a deixava maravilhada, deslumbrada e, consequentemente, descontrolada.
Ela amava ficar ao lado dele, nas baladas, nos bares, no carro, na cama. Ela desejava diariamente estar com ele. Até fazer nada ao lado dele era deliciosamente bom.
Tudo novo. Tudo contraditório a todos históricos. Tudo eternizado na intensidade do descontrole.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Participação especial

"Não estou solteira, estou seguindo carreira solo, com participações especiais...”


Essa frase deu um incentivo extra a minha escrita hoje.
Simplesmente por que chegou uma hora que senti falta da participação especial.
Sabe aquele dia que você não quer nada além de ver a pessoa? Não precisa de nada mais. Só do cheiro, do calor, da presença do indivíduo.
Algo pode não ter saído muito bem, ontem à noite. O álcool, a mensagem de significado oculto... E tanta coisa está sendo oculto entre agente.
Não temos contrato. Apenas participamos em momentos, alguns tão especiais.
E hoje é um dia que desejaria ensaiar, cantar, em sua companhia.
É dia de querer apenas que seja, que esteja ao meu lado.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Peguete x Namoro

Ultimamente tenho escrito, ou pensado muito em rotular, nomenclatura para o relacionamento.
Pode ser que a sociedade esteja forçando, pode ser que queiram realmente saber o nome, pode ser tanta coisa.
Não aceitam nomes vagos, ou não nomes. Você sai com alguém que te faz bem, e logo querem saber o que esse alguém é seu.

Não tem como saber no mundo de hoje o nome certo. Nossa geração faz brincadeira com o sério, temos a ficada, o ficante, o peguete. Falar em namoro é medonho, é tenebroso. Assumir o compromisso do namoro parece ser tão sério quanto um noivado, um casamento.
Deixa de curtir o momento para pensar no futuro. Será que daremos certo?
Terminar com um namorado não é o mesmo que terminar com um peguete.

Os compromissos são outros, as responsabilidades completamente diferente...

Mas os prazeres são os mesmos. Agente encontra, combina de encontrar, dá vontade de encontrar. Compartilha drinks, amigos, vontades (nem sempre divulgadas). Às vezes no meio da noite sou capaz de sentir o cheiro dele, de querer ter os braços dele envolvendo meu corpo, que a cada movimento meu seja acariciado. Às vezes dá vontade de mandar uma mensagem sem assunto. É um bom dia, um oi, um sorriso. E dá vontade de fazer planos, fazer convites, de comprar presentes de se imaginar juntos para um todo o sempre. E o todo sempre é o agora.

E pode ser que todo esse romantismo chegue ao fim. Tudo acabe. Não seremos felizes para sempre. E a nomenclatura pode simplificar as coisas.

Se você tem um peguete e o relacionamento de vocês é claro que é somente aquilo, nada de mais. O parar de ficar é tranquilo.
Burrice de quem se envolveu demais.
Mas se vocês já se nomearam, se vocês são namorados, o mundo é diferente.
O choro não é tão idiota, o término corrói e dói mais e mais.
As lágrimas podem rolar, sem vergonha. O sentimento pode ser exposto sem medo. A burrice era não se envolver.

E agora a pergunta, qual a diferença entre o peguete e o namorado?
Será que o coração consegue diferenciar essa nomenclatura?

sábado, 26 de novembro de 2011

O perfume

Um sonho, um pensamento, um lugar.

Sou transportada para aquele quarto. O quarto gigante no qual passamos a noite.
Uma noite que fora regada pelo álcool, pelo riso, pelo desejo.
Uma noite de paixão, de corpos.
Uma noite na qual adormecemos juntos. Eramos um.
Eramos um corpo, uma fragrância.

E era a fragrância que me chamava para perto de você sempre.
Seu cheiro, meu cheiro, nossa essência.

O mesmo perfume do sonho, a nossa essência, agora se tornava mais real... O desejo de senti-lo me fez acordar. Despertei pra realidade.
Estou no agora.
Acordo sem saber em qual quarto estou, mas seus braços me envolvem, me protege.
Estou ao seu lado. Sentindo nossa fragrância.

O perfume perfeito!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sem tradução

Você é incapaz de falar, dizer, traduzir.
Tudo foi acontecendo de um jeito tão simples, calmo e encantador. De repente seu ser não está pisando no chão. Você flutua, você voa, você é capaz de ser teletransportada.
Um transporte simples, o pensamento.
Você viaja ao lembrar. Vai de um instante a outro. Fica fora de órbita durante dias, apaixona-se por cada novo momento, se reapaixona cada vez mais pelo que já tinha apaixonado.
Seus dedos já reconhecem o rosto dele.
Seu corpo já aquece ao imaginar o toque.
O sorriso desprende quando o encontra.
E as coisas foram acontecendo da maneira certa.
E você se apaixona por cada detalhe.
E apaixona até pelos defeitos.
E ele tem o encaixe perfeito. O carinho perfeito. As mãos perfeitas.
Ele é capaz de envolvê-la, fazê-la esquecer. A transporta.
Aquece e protege.
Em todos os instantes é capaz de jurar que o mundo pertence a eles.
Sem compromisso, sem posse vão compartilhando, conhecendo.

Existem coisas que simplesmente, não tem tradução.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tempos

De um extremo ao outro ou até mesmo todos são iguais.
Depende do ponto, depende de tanta coisa, mas a única real é: Ele sempre vai ir contra sua expectativa.
É o verdadeiro atrair o oposto. Deixar que o contrario atinja, bata, infiltre.

Se você quer o fofo, lá vem o cafajeste. Que te esnoba, te maltrata e que você ama!
Quando você cansa de sofrer, é o fofo que aparece.
Traz rosas, flores, carinhos, palavras, atenção.
Mas você está em outro clima, e ele vai embora.
Se você quer alguém que curta a vida, goste de badalações, bares, boates, agenda cheia, surge aquele intelectual, que está formando na faculdade federal, sempre estudou em escola pública e venceu na vida. Simplesmente tudo conspira ao favor dele, e ele não tem tempo. Tem de estudar. Não existe vida social, não há tempo na agenda. Todo seu tempo vago é da família, você não está nos horários da agenda dele e você não quer uma agenda tão ocupada.
E o tempo passa, as coisas mudam.
Você quer aquele intelectual, que respira família, deseja casar, ter filhos, que você lembra de no segundo encontro ele ter perguntado se era batizada e crismada. Aquele que já tinha o nome para a primeira filha de vocês.
Mas o tempo do intelectual passou...
Ai de repente ele chega. Alguém que já passou em tempos passados e reaparece totalmente novo. Nada permanecia igual nele, além do nome.
Algumas pessoas consideram que seja a maturidade, que chegou e transformou. Outros acham que é a vida que molda. Outros preferem não comentar.

Então ele chega no momento que você está em transição.
É aquele período de transição, quero curtir a vida e quero encontrar o pai dos meus filhos.
E você quer curtir, quer badalar, quer beijar, amar. Encontrou alguém que a envolve, a completa, a transborda. Num ritmo frenético ele te cansa. É o cara perfeito para a curtição.
E como você esta na fase de transição, vem aquela carência, aquela necessidade de ser só dele, de estar só com ele.
Vontade de filmes debaixo da coberta, compartilhar cobertas, familia, livros e afins.
E ele está na curtição, da vida badalada, dos jogos, do estar só.

E tudo é o contrário, o inverso.
E você tem que conviver com isso, afinal...

Um dia encontrará alguém que estará no mesmo "tempo" que você.

sábado, 12 de novembro de 2011

Tentação


A carne é fraca, a alma é safada e o diabo ainda atenta!
- Caio Fernando Abreu

E assim a vida segue.
Nas horas que não dá, que não pode, na hora que seria ilegal, surge a oportunidade.
E já dizia Caio Fernando Abreu “a carne é fraca, a alma é safada e o diabo atenta!”.

E surgem questões: seja a instabilidade masculina, a falta de nomenclatura, a liberdade que não me prende.
E há algo errado?
Não tenho o que tenho, não entendo o que está acontecendo.
Tudo é tão confuso e propício.

A liberdade me confunde, existe um ter que é abstrato, existe um comprometimento que não é real.
E ele aparece. Surge, encanta com o olhar, tem gestos atenciosos, mãos carinhosas, palavras doces. Atitudes graciosas.
E o momento é propício.

O gostar me confunde. Pode gostar sozinha? Existe um relacionamento individual? O acompanhar pode não ser estar com, pode ser gostar, pode ser tantas coisas... Às vezes a falta de uma nomenclatura muda tudo.
Às vezes cair em tentação, pode não ser um erro. Pode ser normal... Não dá para saber...
Uma nomenclatura muda tudo, neste momento. Querer cair, não é cair. Cair não é certo, mas também não é errado.
E a danada da nomenclatura muda tudo. Atitude, gestos, palavras.
E a frase de Caio Fernando me atormenta, o convite está feito, as palavras foram ditas... Um ensaio.
Eu não sei se posso atuar.
Mas poderia ser tão bom cair em tentação...
*-*

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Precisa-se de tradutor

E ele me irrita! Me atrapalha, me incomoda!
Tira tudo do lugar!
Vira minha cabeça pra baixo, faz com que meu coração perca o ritmo.
Faz com que eu consiga esquecer o que comecei a falar. Me faz esquecer, me faz deixar de falar.

E ele é chato!
Me faz perder o controle, me faz querer, estar, ter.Faço coisas que depois percebo que não faz sentido. Mando mensagens vagas. Desejo resposta imediata.
Me faz sentir só, sentir boba.
Como posso cobrar algo que não tenho? Como posso querer algo que não sei o que é?

Ele responde as minhas perguntas.
Responde a perguntas que ainda não fiz.

Ele não entende!
Não entende que quando falo que quero uma coisa, quero o contrário.
Não entende que quando peço para que tire meu cabelo de dentro da blusa, quero na verdade um carinho.
Não entende que quando falo que quero namorar, quero apenas que deite calado ao meu lado e eternize o momento. Nenhuma pronuncia ou gesto é necessário quando se quer namorar.

Ele não entende o tão contraditório são meus atos.
Ele não entende que quero o contrário do que falo.
Ele não entende...
Preciso urgentemente de um tradutor.
Preciso de alguém que me traduza.

Se ele me irrita = eu o admiro.
Se ele me atrapalha = ele é essencial.
Se ele me incomoda = ele é necessário.

Quando ele tira tudo do lugar, ele me faz viver!

Se ele é chato... ah... Se ele é chato, ele é simplesmente bom demais!
É a chatice essencial para a vida, mesmo que a vida seja o momento.

E ele é um amor pra vida toda, mesmo que a vida toda seja aquele instante.

sábado, 1 de outubro de 2011

Era uma vez

Fugiu do controle.
Aconteceu exatamente o que ela temia.
A presença se fazia necessária dia após dia, não trataremos de presença de corpos, uma presença física, mas da mais necessária das presenças: havia necessidade da pessoa, em sua essência. Uma essência abstrata que viajava através de fios de cobre, que ignorava a distância de quilômetros, de metros, de cidades. Era a essência que causava uma dependência sem igual.
Era a necessidade de ver a janela brilhando, de ver as letras que se uniam para saudar um bom dia, um diiiaaa, ou apenas um =], =* ..
Não há como se explicar a energia positiva que esses pequenos caracteres traziam a seu dia. Realmente, o dia se tornara melhor com essa saudação, com essas letrinhas, com a presença, com a essência dele.
E isso que ela temia, era disso que ela estava querendo manter distância. E era isso que chegava de mansinho, como um bom mineiro... vinha de mansinho envolvendo-a.
Foi assim no primeiro beijo, fora assim o tempo todo. E ela não queria perder o controle, mas perdera. Ele chegou de mansinho, a abraçou, a envolveu, confortou, tranquilizou. Como uma droga, lhe proporcionava um prazer sem igual, a transportara para outros mundos, a fazia curtir a vida, amar cada instante, cada vão momento, cada silêncio que se fazia, cada palavra pronunciada. E como uma droga, ela necessitava dele, da presença dele, da essência dele.

E era uma droga... Ela percebera e assumira que perdera o controle.
Necessita urgentemente de uma clínica de reabilitação.

Justo ela que tinha tudo sobre controle... tudo planejado...
E era delicioso perder o controle!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desordem, Confusão


E era assim, simplesmente como tinha de ser. Não era nada, mas era alguma coisa. Uma misturinha, confusão. Seja lá o que era para ser, era algo bem significativo.
Uma confusão, como a mente de um alcoólatra sóbrio. A confusão se faz presente na mente, na memória, no coração.
Por que ter que lembrar? Pra que lembrar? Estava tudo tão em ordem quando a casa estava vazia. Não havia ninguém para chamar, para acompanhar, para querer estar presente, para estar presente, para ser companhia. A caipirinha poderia ser tomada sozinha. Mas não... Lá estava a lembrança querendo companhia...
E a palpitação? Não havia palpitação antes. Não havia o desejo do encontro. Não havia, não deveria haver. É uma sensação estranha de não ter controle dos ritmos cardíacos, do frio e calor simultâneo, de ter as pernas bambas mesmo estando de tênis, achar que vai cair a cada passo, como se estivesse usando longas pernas de pau. Era o coração latejando fortemente, fazendo desequilibrar diante dos acontecimentos.
A memória projeta como num filme as cenas. Cenas despercebidas, cenas filmadas, cenas boas... Momentos bons.
E é a maior confusão. A maior desordem.
É pensar quando se quer ignorar, é imaginar quando não se quer ver. É querer quando não se pode querer.
É uma loucura.
Dá para identificar o quanto isso afeta a vida de um ser humano? Dá para perceber a transformação?
É um estar feliz, apaixonar-se, gostar, querer, menosprezar, odiar, irritar, maldizer e amar.
Ahh, a casa estava em ordem quando estava vazia.
Mas essa loucura me faz tão bem...

Alguém tem alguma explicação?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Está acontecendo...

E é doce o sabor do gostar.É delicioso o desejo de compartilhar, de estar, de conviver.
É a chatice que incomoda, irrita e arranca o sorriso.
É a brincadeira mais inocente, são latidos na cama, mordidas discretas, dedos que caminham, momentos bons.
É inexplicável o convívio. O msn, as mensagens, a presença.
Não tem um significado válido para isso.
Não há necessidade, não há nomenclatura capaz de expressar.
É doce, delicioso, irritante, gratificante.
É uma brincadeira, é de verdade, são recordações, acontecimentos.
Está acontecendo.
E é feliz!

sábado, 6 de agosto de 2011

Você²

Uma tranquilidade.
O vento sopra suavemente, a árvore se veste com as mais lindas cores, as flores surgem, as borboletas dançam, pássaros cantam.
Uma felicidade.
O sorriso encanta, o cheiro que vicia, o toque que acalma, a presença que protege, a vontade que acompanha.
...
Uma satisfação.
As coisas estão em ordem, o coração está feliz, o sorriso estampado é sincero, o tempo passa sem desperdício, e na memória: você.
Uma verdade.
Você fica, você fixa, você se instala...
No pulso, no cacto, no coração.
...

"Os pequenos detalhes são sempre os mais importantes."
- Sherlock Holmes

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Loucura real

E o tempo passa, ele voa.
Ela passa no tempo, o tempo passa por ela, eles voam juntos.
São pássaros, são pessoas, são vontades, são atitudes.

É um doce gelo na barriga, um arrepio frio que atravessa a espinha.
O arrepio da pele, o ritmo da respiração, a falta de controle, a boca trêmula, o coração dispara.

São os dedos que caminham no corpo, o suspiro, a voz que timidamente sai intimidando, o sorriso, o cheiro, a aproximação.

É a expectativa, a escrita, o desejo, atitude.
É a contagem regressiva, o planejamento, descontrole.

É um querer que não se quer.
É um desejar indesejável.
É irritante, é intrigante...

É pensar no que não se quer pensar.
É se encontrar pensando. Imaginando. Indo além de si, ao encontro dele.
É angustiante a sensação.
É deliciosamente gostoso sentir.

É uma loucura real.

...

E isso é fato:
É uma loucura real

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

- Oswaldo Montenegro