sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma história sem final feliz


E deitada em sua cama procura inspiração. Era realmente uma parte da memória que tentava apagar, esquecer, ocultar.
O desejo, a vontade. A excitação.
E ela procurou não pensar nisso, não relembrar essas coisas. Loucura, loucura, se assim era possível traduzir.
Foi um telefonema, mensagens, emails, raiva, expectativa, telefonema, encontro.
Ele e sua sempre mania de ligar avisando que já estava na rua da casa dela. Ela que sempre saia, achando que ele estava realmente ali. Bobeira linda e unicamente dele. Ela saberia que ele chegaria daqui a uns 15 min., mas quem sabe ele não a surpreenderia sendo pontual?
E isso a deixava em êxtase! Não conte a ninguém, mas a partir desse momento ela já perdia o sentido do que era ser ela. Envolvia-se em algo superior. Irradiava luz, energia, sorrisos, calor.
Sempre teve a intenção de esconder, de camuflar, mas não tinha como. Ele a transportava para outro mundo, mesmo não estando com ela.
Era felicidade, desejo, paixão. Eram sentimentos intraduzíveis. Nenhuma palavra poderia nomear.
E eram 15 minutos que a transformava em uma adolescente insegura. Queria surpreende-lo, mas ela era a mesma de sempre. Um pouco mais velha, um pouco mais gorda, um pouco mais experiente. Um pouco menos louca.
E ele o que era agora pra ela? O mesmo que fazia seu coração disparar de pensar. O cara que a deixava sem fôlego, sem palavras, e que fazia ser tudo isso.
O cara que a deixava úmida. Boca, olhos, e por ai vai...

Ela desejava esse cara, desde que recebera seu telefone no ônibus.

Pernas bambas, coração a mil, fala irregular. Suor, frio, calor. E ele chegara.
Suas pernas bambeavam ao descer as escadas. Seu coração irradiava! E o pensamento: pé frente pé. Ande. Vá ao encontro.
Abre a porta do carro. O mundo para. Visualização do cara. E ele realmente era muito pra ela.
Aquele sorriso, aquelas mãos, olhos, cabelo, cheiro, boné.
Era aquele cara que te chamou para ir ao cinema, ao topo do mundo, ao sítio. Era aquele cara que não gostava de mexerica com os trequinho branco. O cara que te levou para outro universo. Era aquele cara pra quem você gravou CDS do rosa de saron, escreveu textos, fez calendário, planejou fazer um livro.
E esse cara estava ali. Dentro do carro. Sorrindo pra você.
E a raiva dos 15 minutos explodia de felicidade em seu peito, o sangue circulava mais quente. E você já não sabia se deveria inspirar ou expirar.
Mas você caminhou confiante. Entrou no carro, cumprimentou e deu as coordenadas. Um orgulho de menina, foi mulher.
Bar escolhido, mesa escolhida. Calor e frio. Não sabia ao certo o que sentir.
Como se comportar diante daquele ser humano que lhe conhecia do avesso? Do lado certo. De tantos ângulos, que nem mesma você já tinha se visto.
Tatuagens, fotos, perguntas. E nada tinha um inicio-meio-fim.
Você mergulhava naqueles olhos, queria sentir seu calor, seu toque. O cheiro de vocês.
Iniciava um dialogo que logo se perdia. Era uma criança observando a mesa de doces da festa.
E ele era a delicia, a gula, o pecado.
Shows, vontades, saudades. De U2 a Pear Jam. Ou vice versa. De suco a cerveja. De 100% a ???
Desejo, êxtase, teso.
As cadeiras se aproximaram, as mãos apalparam, encontraram mãos, pernas, cintura.
Os rostos se aproximaram, cheiro, desejo, vontade. Explodiu um beijo.
Aquele que não tira o fôlego, mas acende o corpo. Que queima, explode, ultrapassa.
E era isso, eram bons. Foram bons, apaixonados, adolescentes, era irreal.
E ele uma droga! Que do jeito mais encantador a convidaria para ir, num lugar mais tranquilo. E ela aceitaria antes mesmo da pergunta surgir.
E era o local mais lindo, e romântico. Era o local deles e de ninguém mais!
Naquele quarto, já viveram felicidades e tristezas. Naquele quarto já se amaram e despediram. 
E eles entraram como se os meses não tivessem distanciado os dois. O tempo não passou. Ainda eram eles.
E ele sabia como beija-la de forma que ela se derretia, e ela já aprendera a tirar o cinto dele.
Seriam trajes tirados, camisa pendurada, calça jogada, cueca, sutiã, calcinha.
Era ele, ele, ele.
O ser humano indecifrável e necessário.
Era ele, beijos, mãos, orelhas, boca, pele.
Cheiro, calor, saudade.
Era completo, ele nela, dentro dela em todos os sentidos.
E a eternidade daquele momento era feliz! Era tão feliz que ela desejava sua eternidade naquele momento. Naquele quarto, naquele ser.
O momento passaria e a eternidade daquela felicidade chegaria ao fim.
E deitada em sua cama ela buscou inspiração para escrever a ele, ela deixou reviver aquele momento, imaginou o quarto, o espelho, o chuveiro.
Mas precisou retornar aos fatos. E a felicidade momentânea chegou ao fim.
No dia seguinte ela seguiu seu caminho, ele foi encontrar a amada. 
E já dizia a música: "conto uma história sem final feliz”.

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