terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tempos

De um extremo ao outro ou até mesmo todos são iguais.
Depende do ponto, depende de tanta coisa, mas a única real é: Ele sempre vai ir contra sua expectativa.
É o verdadeiro atrair o oposto. Deixar que o contrario atinja, bata, infiltre.

Se você quer o fofo, lá vem o cafajeste. Que te esnoba, te maltrata e que você ama!
Quando você cansa de sofrer, é o fofo que aparece.
Traz rosas, flores, carinhos, palavras, atenção.
Mas você está em outro clima, e ele vai embora.
Se você quer alguém que curta a vida, goste de badalações, bares, boates, agenda cheia, surge aquele intelectual, que está formando na faculdade federal, sempre estudou em escola pública e venceu na vida. Simplesmente tudo conspira ao favor dele, e ele não tem tempo. Tem de estudar. Não existe vida social, não há tempo na agenda. Todo seu tempo vago é da família, você não está nos horários da agenda dele e você não quer uma agenda tão ocupada.
E o tempo passa, as coisas mudam.
Você quer aquele intelectual, que respira família, deseja casar, ter filhos, que você lembra de no segundo encontro ele ter perguntado se era batizada e crismada. Aquele que já tinha o nome para a primeira filha de vocês.
Mas o tempo do intelectual passou...
Ai de repente ele chega. Alguém que já passou em tempos passados e reaparece totalmente novo. Nada permanecia igual nele, além do nome.
Algumas pessoas consideram que seja a maturidade, que chegou e transformou. Outros acham que é a vida que molda. Outros preferem não comentar.

Então ele chega no momento que você está em transição.
É aquele período de transição, quero curtir a vida e quero encontrar o pai dos meus filhos.
E você quer curtir, quer badalar, quer beijar, amar. Encontrou alguém que a envolve, a completa, a transborda. Num ritmo frenético ele te cansa. É o cara perfeito para a curtição.
E como você esta na fase de transição, vem aquela carência, aquela necessidade de ser só dele, de estar só com ele.
Vontade de filmes debaixo da coberta, compartilhar cobertas, familia, livros e afins.
E ele está na curtição, da vida badalada, dos jogos, do estar só.

E tudo é o contrário, o inverso.
E você tem que conviver com isso, afinal...

Um dia encontrará alguém que estará no mesmo "tempo" que você.

sábado, 12 de novembro de 2011

Tentação


A carne é fraca, a alma é safada e o diabo ainda atenta!
- Caio Fernando Abreu

E assim a vida segue.
Nas horas que não dá, que não pode, na hora que seria ilegal, surge a oportunidade.
E já dizia Caio Fernando Abreu “a carne é fraca, a alma é safada e o diabo atenta!”.

E surgem questões: seja a instabilidade masculina, a falta de nomenclatura, a liberdade que não me prende.
E há algo errado?
Não tenho o que tenho, não entendo o que está acontecendo.
Tudo é tão confuso e propício.

A liberdade me confunde, existe um ter que é abstrato, existe um comprometimento que não é real.
E ele aparece. Surge, encanta com o olhar, tem gestos atenciosos, mãos carinhosas, palavras doces. Atitudes graciosas.
E o momento é propício.

O gostar me confunde. Pode gostar sozinha? Existe um relacionamento individual? O acompanhar pode não ser estar com, pode ser gostar, pode ser tantas coisas... Às vezes a falta de uma nomenclatura muda tudo.
Às vezes cair em tentação, pode não ser um erro. Pode ser normal... Não dá para saber...
Uma nomenclatura muda tudo, neste momento. Querer cair, não é cair. Cair não é certo, mas também não é errado.
E a danada da nomenclatura muda tudo. Atitude, gestos, palavras.
E a frase de Caio Fernando me atormenta, o convite está feito, as palavras foram ditas... Um ensaio.
Eu não sei se posso atuar.
Mas poderia ser tão bom cair em tentação...
*-*

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vontade²

E às vezes dá uma vontade...

Vontade de rir, chorar de rir, chorar.
Vontade de ficar quietinha debaixo das cobertas.
Vontade de correr pelo mundo.

Vontade de amar e odiar.
Vontade de rotular, dar nomes.
Vontade de parar de pensar.

Isso sim seria bom.
Não pensar, deixar fluir.

Vontade de parar de planejar.
Vontade de abraçar, beijar, apertar.
Vontade sutil de ser.

Ser, deixar ser.
Vontade de desprender.
Vontade de dizer que ama sem ter vergonha.
Vontade de chutar cabeças.
Vontade de curar feridas com beijos.
Vontade de pegar no colo, ninar.
Despertar.

E às vezes dá vontade de fugir. Sumir.
Vontade de encontrar, encarar.

Vontade de ouvir vozes, de sentir toques.

Dedos, mãos, pele.

Vontade de ser criança.
Vontade ser irresponsável.

Vontade de ser frágil.
Vontade de quebrar.
E assim deixar de ser, deixar de pensar.

Deixar de ter vontades.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Precisa-se de tradutor

E ele me irrita! Me atrapalha, me incomoda!
Tira tudo do lugar!
Vira minha cabeça pra baixo, faz com que meu coração perca o ritmo.
Faz com que eu consiga esquecer o que comecei a falar. Me faz esquecer, me faz deixar de falar.

E ele é chato!
Me faz perder o controle, me faz querer, estar, ter.Faço coisas que depois percebo que não faz sentido. Mando mensagens vagas. Desejo resposta imediata.
Me faz sentir só, sentir boba.
Como posso cobrar algo que não tenho? Como posso querer algo que não sei o que é?

Ele responde as minhas perguntas.
Responde a perguntas que ainda não fiz.

Ele não entende!
Não entende que quando falo que quero uma coisa, quero o contrário.
Não entende que quando peço para que tire meu cabelo de dentro da blusa, quero na verdade um carinho.
Não entende que quando falo que quero namorar, quero apenas que deite calado ao meu lado e eternize o momento. Nenhuma pronuncia ou gesto é necessário quando se quer namorar.

Ele não entende o tão contraditório são meus atos.
Ele não entende que quero o contrário do que falo.
Ele não entende...
Preciso urgentemente de um tradutor.
Preciso de alguém que me traduza.

Se ele me irrita = eu o admiro.
Se ele me atrapalha = ele é essencial.
Se ele me incomoda = ele é necessário.

Quando ele tira tudo do lugar, ele me faz viver!

Se ele é chato... ah... Se ele é chato, ele é simplesmente bom demais!
É a chatice essencial para a vida, mesmo que a vida seja o momento.

E ele é um amor pra vida toda, mesmo que a vida toda seja aquele instante.

O inesperado


O interfone tocou fazendo com que ela acordasse de seu sono.
Sentindo se ainda embriagada saiu da cama e procurou nos cômodos alguém que não estava ali.
E de novo o som do interfone.
Trajando seu pijama saiu pela porta da sala, observou pela janela e viu: Era um entregador que trazia uma encomenda volumosa em suas mãos.
Esfregando os olhos a fim de espantar a sonolência, finalmente atendeu o interfone.
Sim. A entrega era pra ela.
Passou pela sala, desceu os degraus sem se preocupar que alguém a visse. Recebeu a encomenda, incrédula.
Não podia ser para ela.

E ele estava de volta. Um buquê tipicamente com a cara dele.
Um bilhete com poucas letras.

O endereço e o horário.

E ela sabia o que fazer.
Voltaria para cama.
Sem querer entender o porquê, sem querer entender o real significado daquilo tudo.
Ela estava ali.
Incrédula.

Ele havia partido, foi sem possibilidade de volta.
Ela seguia sua vida, arrumara um novo amor, uma nova vida.

E agora ele estava de volta.
E ela não sabia o que fazer.
Tinha em suas mãos o bilhete, o convite.
O encontro estava marcado.
No bilhete tinha o endereço e o horário.
E o seu celular tocava Black.
Era ele.

"Oh, and twisted thoughts that spin round my head
...
I'm spinning, oh, I'm spinning"

domingo, 30 de outubro de 2011

Sábado a noite

E a música tocava:

"Todo mundo espera alguma coisa
De um sábado à noite
Bem no fundo todo o mundo quer zoar
Todo mundo sonha em ter
Uma vida boa
Sábado à noite tudo pode mudar"

Realmente, num sábado a noite, ela saíra sem preocupações. Saíra com um único objetivo: divertir.

Divertiria sim. Beberia sem se preocupar com a conta, dançaria sem medo de ser observada. Cantaria sem medo de errar a letra.
Ela saíra com o objetivo de ser feliz.

Tirou folga dos sonhos, dos romances. Aquele dia sairia não com o príncipe encantado. Não desejava dormir de conchinha. Não queria beijo na boca, carinhos.

Naquele sábado ela saíra com ela mesma. Ela se amaria a noite toda.
E acontecia o maior amor de todos.
O amor próprio.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E fui!

E `às vezes escrever é difícil.
São horas e horas tentando colocar as frases em ordem, as palavras são como crianças em parque de diversão.
Correm na maior desordem, desobedecem.
E o querer escrever de um assunto "x" pode não ser válido.
Escrever sobre o "y" é vago.
Não entraremos na matemática, na física. Não se pode somar "x" e "y", e muito menos fazer com que os dois corpos fiquem no mesmo lugar.

Tentei escrever sobre a semana, sobre o trabalho, sobre o que o pensamento me mantem distante. Sobre o que o trabalho me distancia. Sobre a distancia entre eu e o mundo.
Tentei escrever sobre os 90 dias. Sobre a falta, sobre a presença.

Descobri a ausência.

Não posso dissertar sobre a noite mal dormida, sobre as angustias, sobre o que não estou sentindo.
Não posso descrever detalhadamente o amor que não estou tendo, não estou sentindo, não estou vivendo.
Posso narrar contos fantásticos, risadas, propostas, mas então estaria denunciando e me declarando culpada.
Deixo aqui uma nota de ausência.

Fui aprontar, viver sem deixar vestígios.
Boa noite.
"Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende"