quinta-feira, 14 de julho de 2011

Um ótimo bom dia!


Um acordar diferente.
O celular toca a música do anjo.
O anjo a acordara.

Um sorriso sonolento, um chamado.
Uma proposta. Uma aceitação.

Andar sonambulando do quarto para o sofá, ao som de um anjo.
Falar com um anjo.

Água no fogo, geladeira aberta, pó de café, pão.
Água, escova, pasta.
Pente, cabelo, calça, camisa, tênis.
Protetor, gloss, perfume.
Chave, celular, fone.

Encontrar a voz de locutor.
O gasparzinho da vida real.

Caminhada, telefone, corrida.
Suor, respiração ofegante.

Calor, camisa, flexão.
Mão fria, corpo quente, adrenalina, vontade.

Água de coco, caminhada, abraço.
Cheiro do suor...- Agradável.

E era o passado retornando.
Ele estava só de passagem?
E o momento era muito bom!

Abraço, cheiro, respiração ofegante.
Um ótimo bom dia!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ócio eloquente


Confusão. Cobrança. Sufoco.
Ócio eloquente.
Imaginação superior.
Eleva, voa, sonha, acredita realiza.

Não é a toa que já foi dito que mente vazia moradia do diabo.
Mente vazia, é moradia.
Cabe ao seu proprietário fazê-la moradia do diabo ou dos deuses.
Em cada vão instante que se passava, detinha-se em transformação.
Não era uma roda gigante, era seu humor. Era seu otimismo e seu pessimismo que a fazia cometer o suicídio e ressuscitar.

Era nos momentos que sorria dizendo que estava tudo bem, que tudo ia dar certo. Era nesses momentos que a lembrança refletia... E simplesmente nada estava bem. Nada ia dar certo.
Era a simetria do ser. Era a bipolaridade. Era uma pessoa só. Eram duas personalidades.

Confusão, transtornos. Loucura.

A conversa, a promessa na próxima, na conversa, na saída.
A promessa do pensamento.
Uma hora era toda a eternidade para quem espera.

E ela espera, está a espera.
Espera pela conversa, pela DR, pela saída, pelo pensamento.

Já se passaram alguns dias.
Ela agonizava na espera. No momento da espera.

Enquanto isso convivia...
Confusão, transtorno, loucura, cobrança, sufoco.
O ócio é mesmo eloquente.

Necessidade...


Sufocante.
Talvez essa seja a palavra que melhor descreva o sentimento que me atormenta.

Confusa.
Talvez esse seja o único adjetivo que consiga expressar como está a minha mente.

Paro.
Observo o papel em branco. Meu pensamento funciona a uma velocidade incrível, mas meus dedos não acompanham. Seria o receio invadindo o meu corpo? Ou seria a razão proibindo que tal realidade seja revelada?

Necessidade.
A mente precisa se libertar. Deseja que todas as letras desapareçam e que não sobre vírgula para atormentar. Aguarda o descanso, desesperadamente. Entretanto, as letras não conseguem tomar forma.

 
Ansiedade. Nervosismo. Branco.
Por um momento os pensamentos desaparecem. Estaria tudo esquecido?

Inquietação.
O papel continua em branco.

terça-feira, 12 de julho de 2011

E era assim




Dizem que os atos devem ser ensaiados.
Assim a probabilidade de erros e incoerência, poderia ser nulo.

Quantos ensaios podemos realizar na vida? E a arte de atuar na peça?
Vivemos no ensaio, na atuação.

Houve um tempo que ela ficara perdida na distância que existia entre ela e ele.
Houve um tempo que ela não notara, mas a distância aumentava.
No tempo em que ela quis resgatar sua amizade, ela o perdera.
Ela o perdera pra ele mesmo.

Ele estaria no interior daquele cara que ela conhecia. Ele tinha sido sequestrado e ocultado dentro daquele corpo.

Quando ela percebeu o que acontecia, decidiu entrar em ação.
Chamou por aquele novo que habitava o corpo do seu amigo.
Ele era um sequestrador.
Ela o intimou. Queria conversar. Quem sabe não conseguiria libertar o amigo?!

E estava tudo combinado.
Estava tudo acertado.

O ensaio estava perfeito.
Mas não houve atuação.

O sequestrador na tentativa de cumprir sua promessa, foi impedido pelo destino.
Seu amigo que habitava no mesmo corpo que o sequestrador, foi amaldiçoado a permanecer oculto para um todo sempre.

Ás vezes a vida não permite ensaios.
Ás vezes precisamos não marcar, não agendar, não ensaiar. Mas sim, atuar.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A febre e a escrita



"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir".
Fernando Pessoa


A frase não podia ter aparecido em melhor hora.
Relembrando de nossa conversa ontem, digo que ultrapassei um pouco do previsto.
Queria ter trinado melhor o que falar, gostaria de ter conversado pessoalmente. Cara a cara, olho no olho.
Mas tudo que consegui foi um telefonema.

Precisava livrar da febre que sentia, que ardia dentro de mim.
Sua indiferença, nosso distanciamento, ausência...
Não articulei bem as palavras. Como uma pessoa enferma que tem delírios com a febre, as palavras sairam incoerentes, por vezes até desconexa.

Sinto que não expressei bem. Sinto que você ouviu, mas não processou.

Falta. Quero de volta O cara que me encantou, o cara com quem sou encantada.
A pessoa que compartilho dos momentos mais ociosos ao mais turbulento.
Amigos também discutem relação.
Amigos sentem falta da presença, da fala, do oi, do toque, do abraço.
Amigos sentem falta do companheirismo, das brigas, da bagunça.
E eu sinto falta de você.

A febre volta, e as palavras não saem como deveriam.
Descontrolo, emociono em pensar que há algo errado.
Você diz que não, mas percebe que estamos diferentes.

A febre arde, em lembrar que dei o exemplo errado, que comparei errado.Que agi errado.

Estou ardendo de febre. Escrever não está adiantando.
Queria você aqui.

Ato

Depois de tudo ensaiado, encontro marcado, tudo confirmado. Ela veio: a incerteza.
será que ela conseguiria expor o que pensava? Será que ela conseguiria se prender ao roteiro e não improvisar? Será que ela seria capaz de falar? Mostraria o bilhete? Calaria diante do outro? Teria sido o ensaio todo em vão?

Não era hora de pensar nisso. Era momento de sr otimista, de ser determinada. Ela resgataria seu amigo daquele que o sequestrou.

O tic tac do relógio não soava lentamente. Os minutos foram congelados no tempo. A angústia tomava conta. A hora que devia estar se aproximando não chegava.

Um sentimento estranho. Vestiu uma blusa e saiu. O vento soprava indicando a direção que ela deveria seguir. Seguiu.
Mais adiante: um acidente.

Todo o ensaio acabaria ali. Entre cacos, ambulância, feridos.
O sequestrador não chegaria ao encontro. Seu amigo não retornaria.

domingo, 10 de julho de 2011

Alegria vs. Tristeza


Arrependimento. Sofrimento. Quando a tristeza nos atinge, repensamos todos os nossos atos. Arrependemos de decisões que nos fazem sofrer, uma dor que temos a certeza de não conseguir suportar. Mas esse sentimento é inversamente proporcional aos bons momentos que existiram. Então, chegamos à contradição.


Seria muito dizer que gostamos do sofrer, mas não podemos negar quão bom foi o início. Nesse momento o passado invade a mente, com todas as alegrias e raivas vividas. O gostinho da lembrança que jamais será esquecida. Desistimos do arrependimento. Valeu a pena viver cada minuto, mesmo que no presente isso pareça irreal, loucura.

Deixar de arriscar é deixar de viver. Não há sofrimentos, mas também não há alegrias, pois na maioria das vezes os sentimentos antagônicos andam juntos, inseparáveis. É como se um fosse a lembrança do outro, afinal, só sabemos que estamos muito bem quando comparamos com uma situação em que estávamos mal. Seria como sentir falta de algo apenas quando perdemos.

A natureza intrigante do ser humano mais uma vez nos surpreende. Muitos dizem ser difícil entender as mulheres, mas a verdade é que a complexidade está em cada indivíduo, independente do sexo. E é exatamente por esse motivo que alguns despertam tanto interesse em outros.