domingo, 4 de setembro de 2016

Remorso

http://weheartit.com/entry/96162181


E o tempo?
Passa suave, discreto
Quase sem ser percebido
Flui através do espaço
Abraça um mundo que não para
Que sente a velocidade
Que se desespera em busca do que foi perdido
Um tempo que não volta
Que não espera ser encontrado
Que deseja ser esquecido
Junto aos ses que nunca existiram
Mas que tentam invadir o fluxo contínuo
E se perdem em indagações
Em desejos nunca conquistados



http://www.goodfon.su/wallpaper/art-tidsean-niya-devushka-chasy.html



E o tempo?
Brinca em meio a todo o caos
Diverte-se sendo perseguido
Confunde os pensamentos
Encontros e desencontros
Passado, presente e futuro
Todos os verbos e suas variações




https://www.pinterest.com/pin/297167275385262016/

Não desacelera
Não espera
Não para
Apenas continua
Se dividindo
Se repetindo
Se confundindo
Em seu fluxo contínuo
Onde tudo fica para trás

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

De repente: cadê?!

De repente: Cadê.
Achei que estava tudo sobre controle. De repente, não era bem isso.
Temperar o arroz, alho: ok. Cebola: ok. Sal: ok. Óleo: ok. Cortar cebola, espremer o alho... Ops, cadê o espremedor?
Carne de panela, ok. Carne, ok. De repente cade a tábua? Cadê?
E a cenoura, cadê?
Desistir?! Mudar.
Vitamina, ok. Leite, ok. Fruta? Vitamina do que?
Sede. Cadê a água. Sair a procura. Tudo fechado. Água da torneira?! Talvez. Água fervida. Sim, por que não? Água com gostinho estranho, a chaleira enferrujada.
Fazer um macarrão, ok. Macarrão fervido. Cadê o escorredor?
A carne congelada, tudo bem. Alho e óleo com sardinha. Ingredientes ok. E o abridor de lata. Cadê?
E vamos que vamos!
Um chazinho com bolacha vai bem :*

terça-feira, 30 de junho de 2015

O despertar

Depois das horas de descanso pôde abrir os olhos com tranquilidade.
Foi um despertar calmo, de quem está satisfeito. Na medida certa do descanso, sem o gostinho de quero mais. No entanto, ele não quis levantar de imediato. Gostava de estar ali, deitado, tranquilo, em paz.
Sentia-se satisfeito com a vida. Em paz com o relógio, com o mundo.
Sentia-se satisfeito com a vida, um bom emprego, uma família compreensiva, amigos acolhedores e um amor gostoso de se viver. E ele era agradecido, por essa vida fantástica.
Ficou um bom tempo imóvel, deitado  observando o teto. Um mundo de lembranças se projetava ali.
Eram dias bons, eram dias bem vividos. Estava estava bem, estava  em paz. Estava feliz.
De repente, um som ao fundo, o despertador toca.
E ele é sugado pra realidade. Acorda atrasado, seu dia já deveria ter começado.
Não tem tempo para apreciar o despertar, tão pouco flertar com suas lembranças. O dia já começou e ele não devia mais estar ali.
Cambaleando saiu da cama, acordou no corredor a caminho do banheiro.
Ele despertou do sonho. E vestiu sua roupa de viver...

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eis me aqui

Eis me aqui. Acho que pensando demais, a arte de pensar além das horas permitidas.
Eis me aqui, fazendo as pazes com o teclado. Abri a página do blog, olha eu ali.
Quanto tempo se passou desde o ultimo post? Briguei comigo, me coloquei de castigo. Ignorei que gosto de escrever, pois não queria escrever o que gostaria.
A gente cresce. Dá alguns passos bambos na vida. Cai um bocado de vezes. Machuca e aprende. Aprende a camuflar o que não é aceito, aprende a se prender. Aprende a reter a felicidade, a não explodir. A gente aprende a engolir o choro, o choro de alegria, de tristeza, de prazer.
A gente aprende a falar baixinho, fazer baixinho, ser baixinho. Que tudo não transborde, que todo amor não exploda. Aprende a se conter com a paixão. Aprende a se repreender ao abraçar. E ao ser surpreendida pelo não abraço, a gente aprende a apontar, desviar, disfarçar. Aprende a entender o não cumprimento de uma pessoa querida na rua. Aprende a esconder os sentimentos.
A gente aprende a ser gentil, amável, carinhosa, compreensiva. A ver os outros, querer o bem dos outros, a viver a vida dos outros, esquecer de si. Esquece de se amar, de ser gentil para si, de ter  tempo para si.
Aprende a ignorar seus desejos, postergar dos seus sonhos, deixar de fazer planos, deixar a vida passar, o amor para a melhor oportunidade, a conversa pelo momento certo. E a vida vai passando, o amor se vai, a família se vai e sua vida fica.
Sua vida fica vagando na aleatoriedade, na aula de estatística, nas probabilidades da vida.
Aquele amor que você não assumiu, aquele apartamento que você não comprou. Aquele dia que você não assistiu TV na sala com todos... Você vai sumindo, deixando de fazer parte, deixando de estar, de ser. Estar presente e ser você. Aos poucos você vai indo, sendo levada pela probabilidade de cair em qualquer lugar sem ter raiz alguma. Aleatória na vida, sem laços, sem destino, sem sentido.
E qual foi a ultima vez que  você foi completa, verdadeira, intensa? Sem medo de demonstrar demais?
Eis me aqui fugindo. Eis me aqui fingindo. Eis me aqui, desesperada com tanta coisa para se pensar, com tanto sentimento para sentir, ignorando tanto sentimento, tanto pensamento, tanta vontade.
Eis me aqui fazendo uma terapia, declarando a saudade, sentindo o amor, sofrendo com o amor e amando sentir tudo que estou sentindo.
Eis me aqui, aprendendo, reaprendendo a aprender. Haverão dúvidas, perguntas, indagações, mas faz parte.

Eis que John Lennon e Paul McCartney, ja sabiam
"There will be an answer, let it be"

sábado, 9 de agosto de 2014

Eu preciso dizer...

Foi quando em uma noite você me veio como um sonho bom. Chegou, se aproximou como uma pessoa qualquer, uma pessoa normal. Convivência, convívio.
Foi quando sem querer descobrimos tantas afinidades, tantas coisas em comum.
Foi entre cervejas e petiscos.
Entre chegadas e partidas, nos conhecemos e despediríamos. Não foi questão de acaso, mas sim do que teria de acontecer. Estava traçado.
Vivíamos a intensidade da contagem regressiva, a qual não chegou.
Vivemos na individualidade de sermos nós, um só.
Nosso mundo, um mundo.
Vivemos experimentando a sensação de sentir mais a cada dia. Um zilhão de sentimentos que há de explodir.
Chuva de emoções, corações a mil. Sentimentos transbordados, imensuráveis se espalharão.
E quando chegada a hora, haverá medo. Medo de não ser o bastante. Medo de machucar os demais. Medo de que nossa felicidade traga tristeza e decepções.

Se está escrito, ajude-me a ler. Traduza a escrita. Guia-me.
E quando me pego em nosso mundo que é localizado ao redor dos seus braços, não tenho medo... Somos individualmente dois em um.
"Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto"

sábado, 5 de julho de 2014

Razão e emoção: o eterno duelo

Um zilhão de pensamentos, sentimentos, vontades. Razão e emoção: o eterno duelo.
E por que “no meio de tanta gente encontrei você...”, em um período fodástico. Cheio de contratempos, infinidade de baixo astral, acumulo de má fase, eis que “você me veio como um sonho bom”, ou, um sonho muito turbulento.
Não que seja o amor da minha vida, que seja alguém que me fará mover mundos e fundos para ficarmos juntos. Alguém que eu consiga provar que nosso amor superará todos os obstáculos. Mas é tipo esses amor de carnaval, de feriado, de férias. Ou um amor instantâneo igual a tantos outros amores dessa tal geração. Um amor que veio para provar que você é capaz de sentir. Que te faz acreditar, te faz sorrir, te faz bem.
Eis aqui o amor, como substantivo. Há diferença entre ser o amor e amar. Mesmo por que acho que “sou um poeta e não aprendi amar”

Pois bem, esse amor oculto, amor proibido, amor de adolescente, amor de risos, de mãos trêmulas, de mensagens e ligações às escondidas. De  mãos que se  tocam em segredo, de olhares mudos, pernas bambas, fala indecisa. Ahhh esse amor-xonite que traz risos aleatórios, que completa os momentos musicais, ocupa mente, pensamento, planos. Pois bem... esse amor que prova que seu coração bate em ritmos inimagináveis.

E é esse amor que é tão bom, tão gostoso e prazeroso que não deve acontecer.
Então vem a pergunta: porque não?!  E a resposta: por que sim.
E desde criança a gente aprende que por que sim não é resposta, mas em muitas situações fica esclarecido assim e ponto final. É o melhor.
Por que sim. Por que não era pra ser. Por que às vezes tem-se de renunciar a possibilidade de ir ao encontro da felicidade  para se viver em harmonia.
Talvez esse seja o “por que sim”.
"E tudo que é bom dura o tempo necessário pra ser inesquecível"

domingo, 4 de maio de 2014

Amigos descartáveis

Ok. Esse assunto há muito tempo circula minha mente. Não que eu tenha inventado tal nomenclatura e por ai vai, mas trata-se de um assunto que vive me cumprimentando entre conhecidos.
Sou nascida em São Paulo, vivi em alguns lugares, estudei em um número de escolas que não me recordo. Não sei o nome da professora da primeira série. Não tenho amiguinhos de longas datas.... Ok. Complicado até aqui?! Talvez não. Quem os tem?
A pessoa que tenho mais tempo de relação, mora em Jacareí, Andréia (a conheço faz uns 18 anos?!), e nossa relação se resume a alguns SMS s, e e-mails anuais.
Mudei pra Belzonte, onde vivi uns bons 11 anos. Cresci ali. Ensino médio, faculdade. Tenho muitos conhecidos, e amigos verdadeiros. De "longas datas" uns 15 anos, mais ou menos.
Pessoas de curti status, de chats, whatsapp diários, semanais, mensais, anuais. Pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida. Estrelas da minha tatuagem, operários da minha formação. Convivemos, aprendemos, crescemos. Nos tornamos quem somos devido a tudo isso.
Enfim. Sou uma pessoa normal, dentro da normalidade de quem segue a vida. De quem avança cidades e Estados. 
Houve vezes em que tentei e até gostaria muito de não me relacionar. Sendo clichê: Criar muros ao invés de pontes. Não comunicar, não cativar, mas impossível!
A gente convive. Tem de conviver. Isso é regra da sociedade, OU, minha regra. Ahhh o que seria dos meus dias sem tagarelar, ouvir, sorrir, conviver?!
Mas tem horas que é necessário despedir. Desprender. Dizer adeus.
Faz parte da vida.
E dizer tchau dói! Não é fácil imaginar os dias sem os abraços, as conversas, os cafés, batatas com fritas, cinemas, teatros, livrarias, encontros alcoólicos, água de coco, tequila... E cada um sabe da sua particularidade, cada um sabe de sua importância. 
Despedir despedaça. Mutila. Aperta. Sufoca.
Dizer tchau com a certeza de um até breve não alivia a dor da despedida. 
Não é porque se vive no mundo, que não se viveu.
Não é porque muda se para uma cidade com prazo determinado que as amizades ali criadas não sejam verdadeiras. Sou profunda, não superficial. Vivo intensamente, sou verdadeira, logo, declaro que amizades não são descartáveis para mim.
Dizer um tchau, adeus, ate logo é uma tortura. Aperta profundamente.
Você descobre dores e sentimentos indescritíveis, intraduzíveis.
Então... a gente descobre muitas vezes quem são os amigos de verdade quando há ausência. Quando há distância.
Quando a distância não muda. Quando o tempo não apaga.
...
Não existe nomenclatura mais desnecessária (ao meu ver), do que amigos descartáveis.
Citando meu ídolo Carpinejar:
"Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação. Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos? Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue. A serenidade."

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Descompromissos de um relacionamento

É porque quando te vejo não sei explicar o que sinto.
É porque quando te  imagino não sei explicar o que quero.
E porque quando te tenho, definitivamente, não é você.
É porque não é você, ou, não é só você.
É porque sei que não há possibilidade de futuro.
Talvez seja o motivo de  querer que seja o meu presente: Impossibilidade de futuro.
Viver de momento. Do agora.
E um agora que definitivamente não deveria acontecer.
É um presente tão momentâneo.
Aquele instante eternizado.
Adrenalina, correria. Emoção, paixão. Desejo..
E por não te ter completo, por não saber se é  você, se seria só com você. Por não completar, satisfazer, transbordar.
Talvez não seja  você. Talvez não seja só com você.

Descompromissos de um relacionamento

E como na música:
"Whatever you do, don't tell anyone"
https://www.youtube.com/watch?v=0l0nzPpvbFs&feature=kp

terça-feira, 29 de abril de 2014

Sentimentos

Surpreendente.
Caótico.
Errado.
Desejado.

Palavras aleatórias escritas. Palavras jogadas ao vento.
Sentimentos libertos. Soltos. Dispersos.

Atitudes incoerentes. Vontades impertinentes.
Imaginação censurada. Palavra não dita. Conversa visual.

Quantos anos de distância?
Quantas famílias pelo caminho?

Quanta anulação, quanto desejo.
Presença. Carência.
Conversas, silêncio.
Mãos, toque, pele.
Provar. Sentir.

Sem mais ou Cem mais.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Saudade

Sentir falta. Sentir a ausência, sentir saudades. Sentir.
Nostalgia me acompanha durante esse fim de semana. Saudades dos ex-colegas de trabalho, do ex companheiro de balada, do amigo, do namorado, dos vizinhos, da família distante.
Saudade do ônibus, do trânsito, da cervejaria, degustações.
Um chat no facebook, a saudade estava ali. Uma indagação “por que sentia sua falta?” eu questionava a um amigo em 2011.
E hoje questiono continuo sentindo sua falta. Não a mesma de tempos atrás, pois na época não nos falávamos, mas sinto saudades do abraço, cheiro, sorriso e toda sua chatice.
E hoje senti saudade da vida que não tive, dos amores que não investi, do filho que não tive, da viagem que não fiz.
Ser nostalgia, ser nostálgica. Insônia que umedece os olhos e aperta o coração...
Desaprendi a escrever. Preciso de um dicionário. Peço licença à musica para traduzir meu analfabetismo momentâneo.
“Aprendi sem a gramática que saudade não tem tradução.”

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Contrariando

♪ Eu procurei em outros corpos encontrar você
Eu procurei um bom motivo pra não, pra não falar
Procurei me manter afastado 
Mas você me conhece faço tudo errado, tudo errado... ♪

Você não aprovaria o tamanho do vestido, a cor do esmalte que uso nas últimas semanas.
Você não aprovaria o fato de misturar Big Apple com vinho e leite condensado.
Você não aprovaria a entrevista, a opção de trabalhar a noite.
Você não aprovaria a sandália, o impulso ao comprar o kit de maquiagem, ou seria o reboco para a face?
Você não aprovaria que eu secasse meu cabelo com secador. Ele perde seu liso natural, o ondulado e o volume que você tanto gosta de acariciar.
Você não aprovaria tanta coisa...
E no meio de fazer todas essas tantas coisas, eu tento esquecer o que você sugeriria que eu fizesse, o que você gostaria que eu fizesse, ou até mesmo, que eu o fizesse.
E nesta tentativa louca, desenfreada de fazer o que você não aprovaria, de fazer tudo contrário, eu, tento não pensar ou sentir você.
Não sentir suas mãos me conduzindo em meio às pessoas, não sentir seus dedos brincando com meus cabelos, dedilhando canções em minha pele.
E por que você tem esse jeito desligado-desatento-afetuoso-atencioso-carinhoso de me tratar, de aprovar e desaprovar meu jeito e minhas atitudes.
E por que você gosta que eu seja eu mesma, sem maquiagem, salto, cabelo alisado e afins.
E por que você sabe que eu fico nervosa em festas sociais, que fico trêmula e sem graça e que com uma dose de vodka ou champanhe e sua companhia me sinto segura.
Por que você ainda é minha segurança.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Por ai...


"E foi sem querer que te descobri.
Você se aventurou vir a esse mundo, brigou com as possibilidades e quietinho ficou, como quem quisesse passar despercebido quando de repente você se apresentou.
Apresentou-se corajoso e disposto a mudar o mundo. Mudar meu mundo. Colocar tudo de pernas para o ar, me deixar de cama.
E quem imaginava que algo de tão poucos milímetros fosse capaz de trazer tanto sentimento. Aflorou coisas inimagináveis. Muito medo, muito enjoo, muito sono. Muita felicidade, muito amor, o tão falado: maior amor do mundo.
E você, meu guardião, trouxe muito choro, coração apertado, pensamentos. Milhares. Um turbilhão de coisas.
E foi sem querer percebi já te amava. Amei o trequinho que mudaria minha vida para todo o sempre. Amei com um amor inexplicável.
E foi sem querer te prejudicar, que inconscientemente tantas vezes te ignorei. Te maltratei. Te machuquei.
E foi sem querer que a vida deveria retomar seu fluxo, mas isso parece que jamais acontecerá. E foi sem querer... que toda felicidade se desfez. Toda apreensão, tanto medo, tanto amor."

E quem um dia irá dizer que não existe razão?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Apaixonar ou não eis a questão

Por que se apaixonar?
Por que se apaixonar pelo velho, antigo e sempre o mesmo?
Por que se apaixonar pela pessoa que briga, xinga, insulta, esperneia, bate a porta, vira as costas, te deixa falando sozinha, te faz avulsa, incompetente, desnecessária? Por quê se apaixonar pelo mesmo de sempre, sendo que você sabe da incapacidade dele de demonstrar?
Por que se apaixonar pela vida que vocês sonharam, pelos planos, sonhos, filhos, cama, casa, cozinha? Por que se apaixonar pelo passado, em qual já tinha planejado todo o futuro?
Por que se apaixonar por aquele cara que te fez chorar, desidratar, descabelar, emagrecer, desestruturar, deprimir...?
Por que se apaixonar?
Porque essa paixão antiga ainda te faz perder o fôlego, te faz compreender que a música de Samuel Rosa é verdadeira, o nosso amor é o novo, é o velho amor de hoje ainda e sempre.
Porque essa paixão te faz suspirar, suspender, voar. Porque ele sabe como conquistar, como cuidar e como te tratar como mulher. Ele sabe dizer não. Ele sabe educar.
O apaixonado cuida de você. É ele que te dá água quando você chega embriagada pedindo o amor dele. O apaixonado segura-se, sabe se portar como homem e nina uma pessoa totalmente tarada. Ele a poe no colo, passa as mãos no cabelo, espera a amada adormecer, a despe, poe na cama. Cobre sua nudez com um lençol e dorme ao seu lado.
O apaixonado é aquele que prepara o terreno, o café da manhã para uma ressaca, um banho, um carinho. O café no coador que ela prefere.
O apaixonado é aquele que cozinha, enquanto ela lava a louça. É aquele que atende aos desejos da gulosa, ele faz pizza no pão de forma, faz churrasco na chuva, sai a procura do danone que ela comeu na infância.
O apaixonado é aquele que culpa sua amada pelos cabelos brancos, mas que não consegue deixar de apaixonar-se por ela.
O apaixonado é aquele que já recitou verso, cantou música, decorou Carpinejar, sabe que a amada está a procura do par de sapatos imperfeito.
O apaixonado é aquele que sabe que ela tem medo de raio e a busca na faculdade. Dá a ela um botão de rosa, que custou 4 reais, enquanto ela fala que ele faria economia se comprasse no mercado central.
O apaixonado sai nas baladas com ela, com a condição que ela não faça amizade com o barman, com o garçom. E quando ela faz amizades, ele a poe perto.
Ele compreende a simplicidade e a importância que ela dá na hora de compartilhar um pacote de miojo. Sim, comer miojo numa noite fria, numa mesma cumbuca. Dividir um bis, roubar bala na boca do outro.
O apaixonado observa no corte de cabelo, nas unhas pintadas, no esmalte fosco. Na sapatilha, na calça, na blusa. Se o apaixonado não observa ela o faz observar.
Ela provoca, sorri, duvida de sua capacidade de imaginação... O apaixonado sabe ver as coisas mais loucas que ela gosta. Eles leem as mesmas leituras. Eles compreendem um ao outro mesmo sem querer.
Mas a amada não quer ser amada pelo apaixonado. Ela não quer deixar sentir. Ela julga que não pode.
Por que ela não quer se apaixonar pelo apaixonado?
Segredos do coração...

“Borboletas sempre voltam ao ninho, seu jardim sou eu”

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"Amor é fogo que queima sem se ver..."


E como se diz: Quem brinca com fogo pode se queimar.
Ou, não exatamente.
Às vezes quer apenas sentir aquela adrenalina. A pele queimando, saber até quando pode suportar tal ato. Às vezes quer apenas sentir. Sentir que é sensível. Saber que consegue sentir.
A vida às vezes nos deixa dormente. Insensível. São pancadas, são tapas, atitudes, ou muito pior, podem ser palavras que atingem de forma tão intensa e profunda que te deixam: dormente, insensível. Um iceberg, então, nada melhor que algo para aquecer e te devolver os sentidos.
Existem amores inexplicáveis. Talvez o tão amor pra vida toda, vai saber?! Ou como diz o sábio Gabito, existe amores que são o eterno “status de relacionamento: perdendo tempo”. É aquele amor que veio para existir, te fazer, te construir, moldar, mas não aquele amor para se conviver, para se viver, fazer história, pois  vocês são estória.
Aquele “me liga qualquer coisa”. Aquele “a gente já se conhece”, “se entende, não to fazendo nada, você também”... Então... Existe aquecedor melhor que este para testar sua insensibilidade?
Não, não existe. Vocês já foram história, guerra e paz, choro e riso, despedida e reencontro. Brigas, brigas, desentendimento e reconciliação. É aquela pessoa que não paga aluguel, mas é o dono do lote onde se constrói. É o alicerce, o piso, o concreto. É aquela essência inesquecível. É o calor, é o fogo. É a prova que se vive, que se sente.
É o amor clássico, sem modismo. É o amor real, um amor de liberdade. De idas e vindas,  chegadas e despedidas...
É aquele amor que o tempo não apaga, não muda, não destrói e não conserta. Vocês nunca ficarão juntos, mas o que sentem não acabará jamais.
É a perda de tempo mais valiosa. É a prova de fogo. Prova de sentimento. Prova de que tudo que você diz saber, não tem valor nenhum.
Pois você sabe, que se tratando de fogo, tudo é incerto. Tempo, cor, intensidade.
...
“Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...”

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ser x Ter

E a verdade dói. Dói, machuca numa intensidade sem igual.
Ela não causa uma ferida visível. Não é algo de fácil cicatrização. Ela dói, corrói. É uma espécie de tortura.
Se você se familiarizou com o sentimento dolorido da verdade acima, parabéns! Congratulations! Você esta na classificação de uma pessoa sensata.
Caso você não sinta nada disso com a verdade, sorry. Você não é um humano humanizado.
Existem pessoas humanas e pessoas robóticas. Pessoas que convivem e pessoas que vivem.
Considero-me uma humana humanizada (se é que existe essa termologia). Convivo, me transformo, sinto. Uma grande problemática em minha vida é a intensidade. Sou intensa. Gosto de sentir a alegria, de sentir a tristeza. Gosto de sentir o amor e a dor do término.
Sou arisca, azeda, ácida. Sou dócil, meiga, carismática.
Dói dizer a verdade? I don’t know... mas sinto toda vez que digo e peço desculpas.
A desculpa por acaso seria um modo de aliviar a acidez? Um tapa com luva de pelica?
Não exagerei quando te indiquei como superficial, vazio. Quando você se envergonhou de ser garoto propaganda da Calvin Klein, não queria que sentisse vergonha da grife que usava, mas do que vestia seu interior. Quando propôs trocar de carro, não poderia ser por algo menor, mas teria que ser mais. Teria que estar a mais. A frente, em destaque, reconhecido.
Não me arrependo de ter lhe lançado palavras engrandecendo seu ego. Você é sim, bacana, companheiro e divertido, mas você não soube utilizá-las a seu proveito. Preferiu aquelas que te veem como um ter. Um vestir. E não é assim você mesmo?
Um oco revestido de elogios? Um vazio preenchido de vento? Precisa de elogios, mulheres, status para se firmar na masculinidade.  Um evento, uma nova vestimenta, um novo amor, um bibelô a tira colo.
E você é um vivente? Alguém capaz de achar que sabe o que é ter uma vida passageira. Amizades descartáveis. Não, você não sabe.
Você sabe criar laços e desfazê-los? Lembrar-se de como cada volta trouxe uma história?
Não vou te julgar mais do que fiz até então.
Quando digo que sou mais do que seus olhos podem ver, estou falando do que é de fato verdadeiro.
Nossos momentos musicais serão eternizados. O que se leva dessa vida é o que se vive é o que se faz.

Sempre soube que você não era MPB. Seu toque no celular lhe condenava.
Sou MPB. Sou literatura. Sou Ceciliana.
Você: pode ser modismo, jornal. Não lhe julgarei mais.
Se você consegue compreender e sentir a verdade doendo... Ainda restará esperança.
Quem sabe você conseguirá ser e não apenas ter.

(PS. sem censura, sem achômetros. São pontos de vista, pode ser que um dia reconsidero a colocação)

domingo, 10 de novembro de 2013

Amor incondicional.

Houve tempos que desacreditou. Desacreditou no amor a dois, no amor fora da família. O amor era uma mentira bem contada.
Houve tempos que reacreditou. Acreditou no companheirismo, no convívio, no planejamento.
Houve esse tempo em que esteve cega. Apaixonou, amou.
E o amor não é mesmo cego?
Pois bem, em tempo presente a claridade que ofuscava a visão do enamorado foi apagada. A visão do real se apresenta. O mundo colorido e amplo se reapresenta.
Por onde andou no tempo de cegueira? Como tudo aconteceu sem que percebesse?
A realidade a trouxe de volta ao mundo. Um sonho, um medo, um teste.
Uma vida que carrega outra vida.
Um mundo colorido, amplo e medonho.
Há a possibilidade de acreditar que se encontrou o maior amor do mundo durante a cegueira.
Há a possibilidade de crer que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Há a possibilidade de sentir, que o maior amor do mundo está crescendo.
E através das possibilidades da vida a cegueira a fez acreditar.
Amor incondicional, a gente vê por aqui.

domingo, 13 de outubro de 2013

Questionamentos

São papéis demais. artigos demais, pensadores e pensamentos demais.
Cheguei à exaustão.
Teco e tico, ou seria tico e teco?
Há possibilidade de alguma coisa não fazer sentido. Tudo depende.
A linda exceção da regra.
Vamos além, vamos fugir da regra.
Parar, pausar, pensar. Ou parar de pensar.
Caminhar aleatoriamente, de mente vazia, passos calmos, alma aberta.
Sentir a brisa, o vento o calor.
Sentir que o tempo passa. Senti-lo passando entre os dedos, passos.
Olhos atentos às sutilizas, delicadezas.
São pensamentos demais, pudores demais, regras demais.
Achometros, preocupação, desnecessarias.
É o tcc, a vida, o romance, os amigos.
E caminhando pela aleatoridade da cidade deparei com o questionamento.
Tudo isso vale a pena?
O que vem a ser tudo isso?
Vida que se vive, vida que se segue, sem ter a certeza do que é o viver.
#questionamentos.

O que se leva dessa vida
É o que se vive
É o que se faz
Saber muito é muito pouco
"Stay Will" esteja em paz

domingo, 6 de outubro de 2013

A eternidade das dúvidas

E era a realidade batendo forte na sua porta.
Quantas vezes você quis abrir para ela?
E tantas pessoas que já haviam alertado: há algo errado, algo não coincide, é estranho. Areia movediça.
E quantas vezes você não acreditou?
Quantas vezes fechou os olhos, os ouvidos?
A paixão cega, te faz perder o senso critico. A razão.
Você perde os sentidos, não há outra visão, outro cheiro, outro tato, outro gosto.
Há ele, aquele. Somente ele.
Amigos te alertam e você flutua no abstrato daquelas falas.
Você quer acreditar, quer sonhar e flutua. Flutua no seu sonho, no seu delírio, no seu amor. Paixonite.
E o tempo passa. A  vida é cíclica, os relacionamentos também. Aprende-se com os términos, enxerga-se as verdades, mas ainda não há o antídoto para a paixão.
Você não escolheu esperar, você foi vivendo, aprendendo. Se machucando, se torturando e dando oportunidades.
Você cresceu, mas a aqueles sintomas adolescentes permanecem. A incerteza, o medo, o sonho. O pensamento de que será diferente.
Você pode ter 15, 18, 26, trinta e poucos, mas a história será sempre a mesma.
O amor te faz perder o chão, a razão, a independência.
E quem quer ser independente sozinho? Há essa possibilidade?
Agora que estou sonhando, alguém bate a minha porta.
Seria a realidade?
Abrir mão de todos os objetivos por um sonho?
Começar de novo?
Encarar uma realidade nova?
E o mundo gira, a vida é cíclica. E as dúvidas também.
Abrir ou não abrir, heis a questão.


Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Um sonho bom

"Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito..."

No embalo dessa composição me despedi de você.
Você me veio como um sonho bom. Trouxe o colorido aos meus  dias. Dias de sorrisos, de raiva, de fúria, de felicidade.
Foram dias inconsequentes, loucos, deliciosamente caótico e ordenado. No tempo certo as coisas estavam se ajeitando.
No nosso tempo fomos acertando o ritmo. O ritmo entre copos, doses, beijos.
No nosso tempo fomos acertando o relacionamento. A amizade, o companheirismo.
No tempo sem nomenclaturas, sem cobrança.
Companheiros de jantar, de brincadeiras com sobrinhos, de preocupação com o serviço.
Cúmplices de gole, de ressaca, de cheirinho.
No nosso tempo fomos criando a vontade de conviver, de estar junto, de estar perto.
Mãos dadas, dedos entrelaçados, filmes e videos de youtube.
No nosso tempo fomos vivendo, fomos confiando, fomos compartilhando, convivendo.
E como toda estória ou história, há o "time" de teste, de aprovação, de seja-la-o-que-for.
Esse é nosso tempo,  daqui a alguns dias.

Tempo de temer a distância, de sentir saudades.
Tempo de acreditar que o que criamos até hoje foi real, e que será duradouro.
Tempo de crescer, amadurecer.

"Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir"

sábado, 24 de agosto de 2013

O que é, que é?!

E é estranho.
Não há ânimo para aquele bate papo caliente.
Não há sonhos alheios com pessoas alheias.
Não há vontade de flertar.

E é esquisito.
Volta aquela vontade louca de frequentar locadora.
Escolher um filme a dois, pensar no filme a dois.
Dividir os gostos, as curiosidades. Compartilhar.

É caótico.
Passada mais de uma semana, gesticular e sorrir vendo aquele momento que passou há dias, se repetir.
Perceber que está contando pela milésima vez a mesma  história.
Que pela milésima vez que a mesma pessoa te deixa com a cara mais boba.
Você sorri a toa, sorri do nada.
A alegria transborda.

As coisas estão em desordem.
Amnesia e lembranças.
Planos e improvisos.
Palavras e silêncio.

E o yakisoba acompanhado.
Sentir saudades, sentir falta.
Compartilhar, conviver, ter vontades.
Deixar de ter outras vontades.

E o que é, que é?!

O sorriso, o brilho, os planos.
As mordidas, as mensagens, ligação.

O que é que é?!

Estranho, caótico, desordenado?!