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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

E era...


E não era para ser assim. Não foi esse o plano. Deveríamos ignorar, esquecer. Planejaremos a amnesia  Esqueceremos. Apagaremos. Nada foi vivido.
Mas nem tudo sai conforme  planejado. Há muito e muito tempo não tomo minha dose de você, mas aos poucos, bem poucos a gente se acha...
A gente acha a lembrança nos detalhes. Na educação do cachorro, no tamanho da piscina, e até mesmo na pizza de pão de forma.
Encontrei a forma de burlar  o esquecimento olhando para rede, para os lençóis  fotos, memórias. Beliche da minha imaginação.
Fugi do plano e fui em busca de você. É uma noite de muito sono e muito nostálgica. Reviro, procurando os e-mails, as conversas. Um sinal de que você esteve aqui e não está mais.
Nos distanciamos, perdemos o que  tivemos, bye bye. Apagou-se a memória, ou deveria ter sido apagada. Por que ainda sou capaz de te encontrar nos detalhes. Nos livros, músicas, caipis e afins.
E às vezes encontro dificuldade em imaginar seus olhos me olhando profundamente, procuro em vão tentar sentir seu cheiro, o  toque das suas mãos  em meu cabelo, seu jeito de fazer um cafuné preguiçoso. E está se apagando, indo embora lentamente...

E esse era  o plano, não eh?!
Mas ainda sou capaz de te encontrar, numa história de um livro, no toque da  música, no filme, no sofá,  na minha cama... ou simplesmente na pizza de pão de forma.

E a merda está nos detalhes...
Que me trazem você.

sábado, 7 de abril de 2012

A blusa e o brinco

Uma blusa no fundo da gaveta, o brinco solitário guardado.
Lembranças tornam a se projetar. E ela era capaz de ver tudo. E a memória projeta um filme em sua mente.
A camisa era a primeira escolhida, já embrulhada fora trocada. No dia da entrega. O presente dado não era feito pra ele.
Naquele dia, fora o dia: Dia de supermercado, fazer amor na cozinha, na copa, no quarto. Bolo no forno, seriado. Desejos negados e o adeus.
Não o adeus propriamente dito, mas o fim estava cada vez mais próximo. Enquanto isso a camisa que deveria ficar pra ela trocar, ficou esquecida no carro dele. O brinco dela ficara esquecido, talvez debaixo da cama, talvez do lado da TV.
E ela só sabia que o brinco estaria ao lado dele, lugar que não era mais o dela. A camisa que fora esquecida no carro, deveria ser trocada. Haveria então um reencontro para a entrega. O encontro do adeus. Da chance, do último beijo. Do último amor. Da chance que fora dita que seria dada aos dois, mas que jamais fora tentada. O fim chegaria através de letras que se formavam online. E ela jamais esqueceria disso.
Já esquecera dos brincos e anéis perdidos em vários quartos que frequentaram, na beira da banheira de hidromassagem. Mas não esqueceria daquele brinco que faria conjunto com a pulseira que ele dera a ela.
E era lembrança de dias gostosos. Dias de saudades.
E a merda esta nos detalhes, pois o coração que já estava quieto despertou, espremido ao ver a blusa no fundo da gaveta, ao ver aquele brinco solitário...
O par de seu brinco estava com ele e ele não mais estava com ela.
Ela trocou a camisa foi e aguardou carinhosamente no fundo da gaveta para encontrar o dono. O brinco pode não ter tido a mesma sorte, ele pode ter se perdido por ai... Sem cuidados, sem proteção...



"detalhes tão pequenos de nós dois..."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gostosuras e Travessuras

Deliciosamente, fantástico. Era tudo assim. E tudo isso, seríamos nós dois apenas um.
Divertido, delicioso a convivência. Flores, sucos, vinhos.
Lençóis, escova de dentes, chaves, chão, sofá, cobertores. Somos únicos, ambos, um.
E há quem duvide que a matemática esteja errada. Um mais um pode ser um. Éramos assim.
Um no aconchego do outro, um no outro. Apenas esse.
E lembrar-se de detalhes tão pequenos de nós dois, segredos, confissão. Gostosuras e travessuras.
A descoberta do outro no escuro, a leitura corporal, a conversa no silêncio, histórias em quadrinhos, lacinhos, nada.
Quem além de você leria a lingerie dela inúmeras vezes e seria sempre surpreendido ao ler a mesma história?
Quem entende a invasão de lençol no meio da noite imaginando como seria quando a idade chegasse?
E era assim, fora assim.
Vontades, promessas, vivência.
Entre gostosuras e travessuras descobriram a delícia de ambos.
Guerra de travesseiros, amor à luz da lua, casa compartilhada. Vida vivida.
Éramos dois, hoje nada além de apenas um.
E era um amor pra vida toda!
Nem que seja para ser lembrado pela vida toda...
Ahhhh essas lembranças...
"detalhes tão pequenos de nós dois..."

domingo, 26 de fevereiro de 2012

E os detalhes



O horário está irregular. Às vezes a tentativa de fugir da rotina ou da prisão que se tornou o dia é impossível.
Quantas vezes somos capazes de passar o dia sem se preocupar com os instantes, a produtividade? Somos prisioneiro do relógio, do e-mail, da internet do celular.
Numa tentativa ignorada por si mesma, tracei a meta de manter desconectada. Me perdi no mundo durante algumas horas.
Papos de bar me atordoaram nesses minutos, horas... Não sei definir.
Estava brigada com o relógio.
Papos de bar me fizeram pensar, sentir falta. Desejo profundamente ocupar a mente. Fui ler. E lembranças...
Papos de bar, lembranças.
É fato, todos relacionamentos, convivências e etc traz profundas lembranças, detalhes do que fora vivido, presenciado e bla bla bla...
Ontem numa mesa de bar fui longe, voltei num tempo muito atrás... Um detalhe, um relacionamento, um convívio. O detalhe morava no ato mais insignificante. Era uma briga trocar o papel higiênico do banheiro. Ele metódico queria sempre a pontinha do papel para frente, e eu desleixada apenas colocava o papel sem perceber. Coisa de louco, não? Pois eh... A merda está nos detalhes.
Quando ele foi para os EUA, a lembrança provocou uma enxurrada de lágrimas ao limpar os óculos. Ele ensinara como limpar, primeiro um “bafinho” depois passar o tecido, de preferência de algodão. E eu fui limpar meus óculos e chorei. Chorei de saudades, chorei por causa do detalhe. E a merda onde está?
Tive um outro relacionamento, no qual o ser humano era cheio de detalhes, tics e TOC...
E num mais recente... Ahhhh fdp! Esse deixou muitas lembranças, muitos detalhes, muitos lugares...
Para este... Acredito que muitos textos serão escritos...
E há quem duvide que a merda está nos detalhes?