domingo, 16 de dezembro de 2012
Conciliação
São rascunhos. Palavras escritas. Frases formadas e apagadas. Textos deletados.
Perdida na saudade, não há inspiração.
Não há aquele êxtase, a paixão que envolve, que eleva, faz voar, transporta, transborda, derrete, evapora.
A saudade, a assexuou. De sentimentos, de inspiração.
Roubou as letras. As palavras brigam. E a frase não forma.
E chega ao ponto que as lembranças não aquecem mais.
A fisionomia começa a se desfazer. Já não é mais capaz de sentir os braços envolvendo seu corpo na cama. O cheiro não faz efeito. Você vive ali. Vai vivendo e esquece de como era o antes.
De como era ter alguém para dar um bom dia e compartilhar besteiras pelo chat, compartilhar o trânsito, as músicas, a bebida. Você esquece de que vocês não conseguiam ficar mais de 3 dias sem se ver, que o pânico tomava conta; que a cor do esmalte era escolhida por ele. A agenda dele era a sua. E você esquece de como é bom dormir de conchinha, de ter propostas indecentes sussurradas ao pé do ouvido em lugares impróprios, de sentir o cheiro dele, mesmo quando ele já se foi, ou quando ele ainda está por vir. Você esquece de mandar SMS bêbada para alguém, de pegar o celular bêbada tentar falar com alguém.
Você esquece... por que isso se tornou passado.
Não causam sentimento algum. Não há ansiedade. Não há. Acabou.
Por mais que você tente, não consegue ouvir o ronco, o ranger dos dentes, ou o estalar dos dedos.
E em dias como o de hoje, a lembrança volta. A memória se torna tão real.
O cheiro, o calor, os braços a envolvem.
As palavras fazem as pazes, as frases formam. A inspiração volta.
E ela não dormirá só.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Atração
Olhos nos olhos. Pensamentos a mil.
Olhares desviados. Mente dispersa.
Parecia impossível. Era como um imã.
Norte e sul se
atraindo.
A fuga não era nem cogitada.
A proximidade. A mão na cintura.
Olhos nos olhos.
Nada precisava ser dito...
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Uma história sem final feliz
E deitada em sua cama procura inspiração. Era realmente uma parte da memória que tentava apagar, esquecer, ocultar.
O desejo, a vontade. A excitação.
E ela procurou não pensar nisso, não relembrar essas coisas. Loucura, loucura, se assim era possível traduzir.
Foi um telefonema, mensagens, emails, raiva, expectativa, telefonema, encontro.
Ele e sua sempre mania de ligar avisando que já estava na rua da casa dela. Ela que sempre saia, achando que ele estava realmente ali. Bobeira linda e unicamente dele. Ela saberia que ele chegaria daqui a uns 15 min., mas quem sabe ele não a surpreenderia sendo pontual?
E isso a deixava em êxtase! Não conte a ninguém, mas a partir desse momento ela já perdia o sentido do que era ser ela. Envolvia-se em algo superior. Irradiava luz, energia, sorrisos, calor.
Sempre teve a intenção de esconder, de camuflar, mas não tinha como. Ele a transportava para outro mundo, mesmo não estando com ela.
Era felicidade, desejo, paixão. Eram sentimentos intraduzíveis. Nenhuma palavra poderia nomear.
E eram 15 minutos que a transformava em uma adolescente insegura. Queria surpreende-lo, mas ela era a mesma de sempre. Um pouco mais velha, um pouco mais gorda, um pouco mais experiente. Um pouco menos louca.
E ele o que era agora pra ela? O mesmo que fazia seu coração disparar de pensar. O cara que a deixava sem fôlego, sem palavras, e que fazia ser tudo isso.
O cara que a deixava úmida. Boca, olhos, e por ai vai...

Ela desejava esse cara, desde que recebera seu telefone no ônibus.
Pernas bambas, coração a mil, fala irregular. Suor, frio, calor. E ele chegara.
Suas pernas bambeavam ao descer as escadas. Seu coração irradiava! E o pensamento: pé frente pé. Ande. Vá ao encontro.
Abre a porta do carro. O mundo para. Visualização do cara. E ele realmente era muito pra ela.
Aquele sorriso, aquelas mãos, olhos, cabelo, cheiro, boné.
Era aquele cara que te chamou para ir ao cinema, ao topo do mundo, ao sítio. Era aquele cara que não gostava de mexerica com os trequinho branco. O cara que te levou para outro universo. Era aquele cara pra quem você gravou CDS do rosa de saron, escreveu textos, fez calendário, planejou fazer um livro.
E esse cara estava ali. Dentro do carro. Sorrindo pra você.
E a raiva dos 15 minutos explodia de felicidade em seu peito, o sangue circulava mais quente. E você já não sabia se deveria inspirar ou expirar.
Mas você caminhou confiante. Entrou no carro, cumprimentou e deu as coordenadas. Um orgulho de menina, foi mulher.
Bar escolhido, mesa escolhida. Calor e frio. Não sabia ao certo o que sentir.
Como se comportar diante daquele ser humano que lhe conhecia do avesso? Do lado certo. De tantos ângulos, que nem mesma você já tinha se visto.
Tatuagens, fotos, perguntas. E nada tinha um inicio-meio-fim.
Você mergulhava naqueles olhos, queria sentir seu calor, seu toque. O cheiro de vocês.
Iniciava um dialogo que logo se perdia. Era uma criança observando a mesa de doces da festa.
E ele era a delicia, a gula, o pecado.
Shows, vontades, saudades. De U2 a Pear Jam. Ou vice versa. De suco a cerveja. De 100% a ???
Desejo, êxtase, teso.
As cadeiras se aproximaram, as mãos apalparam, encontraram mãos, pernas, cintura.
Os rostos se aproximaram, cheiro, desejo, vontade. Explodiu um beijo.
Aquele que não tira o fôlego, mas acende o corpo. Que queima, explode, ultrapassa.
E era isso, eram bons. Foram bons, apaixonados, adolescentes, era irreal.
E ele uma droga! Que do jeito mais encantador a convidaria para ir, num lugar mais tranquilo. E ela aceitaria antes mesmo da pergunta surgir.
E era o local mais lindo, e romântico. Era o local deles e de ninguém mais!
Naquele quarto, já viveram felicidades e tristezas. Naquele quarto já se amaram e despediram.
E eles entraram como se os meses não tivessem distanciado os dois. O tempo não passou. Ainda eram eles.
E ele sabia como beija-la de forma que ela se derretia, e ela já aprendera a tirar o cinto dele.
Seriam trajes tirados, camisa pendurada, calça jogada, cueca, sutiã, calcinha.
Era ele, ele, ele.
O ser humano indecifrável e necessário.
Era ele, beijos, mãos, orelhas, boca, pele.
Cheiro, calor, saudade.
Era completo, ele nela, dentro dela em todos os sentidos.
E a eternidade daquele momento era feliz! Era tão feliz que ela desejava sua eternidade naquele momento. Naquele quarto, naquele ser.
O momento passaria e a eternidade daquela felicidade chegaria ao fim.
E deitada em sua cama ela buscou inspiração para escrever a ele, ela deixou reviver aquele momento, imaginou o quarto, o espelho, o chuveiro.
Mas precisou retornar aos fatos. E a felicidade momentânea chegou ao fim.
No dia seguinte ela seguiu seu caminho, ele foi encontrar a amada.
E já dizia a música: "conto uma história sem final feliz”.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Há dias

23:40 ou 00:40 e aqui estamos nós.
O celular está fora de área. Não recebi sua mensagem, não sei se você mandaria uma mensagem pra mim, mas a esperança insiste em querer olhar o aparelho celular o tempo todo.
Sei que não tem acesso a internet após o expediente, mas a esperança insiste em atualizar a página.
Durante uns dias, que julguei serem meses, deixei de enviar e-mail, mas a esperança estava ali, esperando sua resposta, ou apenas o e-mail inicial. Há tanto tempo não sei o que é receber um e-mail seu, iniciativa sua, curiosidade sua.
Já se passaram tantos anos, tantas coisas aconteceram desde então. Sumimos, desaparecemos, mudamos, seguimos nossas vidas. E eu não consegui desprender.
Defina isso por favor?
Me mudei, mudei a mim mesma, mudei de estado, de cidade. Experimentei amores, fiquei completamente embriagada de uma paixonite passageira. Quis encontrar meu amor pra vida toda.
Tenho necessidade de amar, de apaixonar, de enlouquecer. De sofrer.
Sou literatura, sou escrita, sou sonho. Não sou. Digo que sou.
Me invento, te invento. Construo a gente. Acabo com o que construímos.
Abstrato, vago, vazio.
Meu coração necessita sofrer e ser feliz. Minha pele necessita de calor, de tato. Preciso de atenção, emoção, vida.
Me perco perguntando quem sou eu no agora. Além de alguém que vive e procura atingir um objetivo. Sou racionalidade, sou meta, objetivo, mas não sou isso.
Sou mais! Sou abstrato, imaginação. Criação.
Literatura, escrita, teatro. Rascunho.
Sou atitude e incoerência. Raiz e asfalto. Clima.
Sou família, sou regras, sou paixão, sou erro.
Estou a procura de mim. Quem sou eu sem você?
Olho atentamente o celular. Continuo sem sinal.
E sem respostas. Não me localizei completamente.
Sou duas, sou uma. Estou norte, sou sudeste.
Estou calor, sou frio.
Incoerência? Consequência das escolhas.
Sou meta, objetivo. Inquietação, instabilidade.
Sou/Estou incompleta.
Sonho e Realidade.
00:38 ou 01:38, aqui despeço. Norte/Sudeste.
Boa noite.
Sua, D
"Mas há dias em que nada faz sentido. E o sinais que me ligam ao mundo se desligam"
domingo, 25 de novembro de 2012
Closing Time
A melodia é doce, suave.
Acordou assim. Acordou ouvindo o som que estava nos seus sonhos. Não tinha outra lógica. Fora durante a noite que escutara essa música que fixou em sua mente, seu ouvido.
E a melodia ecoou o dia todo. Ela já colocou a música para tocar a fim de que chegasse ao fim essa tortura, mas não obteve resultado.
Quem sabe se ela admitisse? E ela sonhou, sonhou com ele. A música era a trilha sonora daquele filme que vocês já se identificaram, mas ignoraram. Ela não sonhou com a música. Ela sonhou com ele. Mas não se permitia tal coisa.
Ela que não tocara mais no nome dele há tanto tempo, ela não o via há tanto tempo, não imaginava ou pensava nele há tanto tempo... Ele não existia mais no mundo dela, ou deveria simplesmente não fazer parte. Então foi através do sonho que ele veio até ela.
Seus olhos, seu sorriso, sua voz, seu cheiro. A felicidade que era de vocês.
Mas, por teimosia não poderia dizer que sonhou com ele, jamais admitiria isso. Então, a música a torturou. Fixou. Manteve-se presente durante todo o dia. Pra quê o orgulho? Pra quê tantas coisas? Porque não admitir? São tantas perguntas sem respostas. Tantas respostas que não fazem sentido a pergunta.
Ele esteve presente no dia dela. O dia todo, o tempo todo, mas ela não quis que assim fosse. E ele veio através da música, embora não tenha sido a trilha sonora dos dois. Não era a banda favorita deles. Não era nada diretamente deles. Talvez eles nunca a tivesse compartilhado essa música como fazia com as outras. No quarto, um na cama e o outro no pc. Talvez essa música não fosse tão deles. Talvez não tenha sido a música em si, mas o filme.
O filme deles, o filme que não era deles. A trilha sonora.
E o filme não era exatamente deles, não existiu o final feliz.
E ela não admite sonhar com ele, ele já não ocupa mais a mente dela, e vice-versa.
E há quem acredite que isso é verdade, e há quem duvide.
A música ainda toca: “Closing time, time for you to go out...”
sábado, 24 de novembro de 2012
Reconstruindo
Uma leitura
que aquece o coração.
Uma musica
que liberta os pensamentos.
Um filme
que mexe que todos os sentidos.
As vezes precisamos de algo assim, que desperte
nossas emoções. A simplicidade que traz à tona as lágrimas, que há muito não
nos faziam companhia. Tudo funciona como um choque para nos despertar, o
fictício nos trazendo para a realidade.
A incoerência começa a se transformar em textos
compreensíveis. As inúmeras informações, aos poucos, fazem parte do mesmo
enredo. E a história que estava perdida e sem rumo, busca um novo caminho.
Entre letras rabiscadas e frases reescritas, a
coragem nos guia em um novo mundo.
Seria fantasia ou a realidade?
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Confusões

Tudo
começara com um abraço.
Ou seria o término?
Talvez o
meio de um ciclo.
Seria isso possível?
Sussurros e
confissões.
Segredos desesperados.
Olhares
confusos.
Pensamentos difusos.
Conflitos.
Um toque
sincero e suave.
Dedos
inquietos eram acalmados por uma mão conhecida.
Palavras,
expressões. Letras sem sentido.
Teria
perdido a audição?
Ou seriam devaneios de uma mente dispersa?
Um toque acolhedor
e apaixonado.
Uma
segurança em meio a todo aquele turbilhão.
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