domingo, 3 de junho de 2012

Os Olhos Azuis

Era um calmante aqueles olhos azuis. O par de olhos azuis que cativava, acalmava, envolvia e apaixonava. Desejava navegar em sua profundeza, descobrir seus limites, desejos e afins.
O dono dos olhos azuis simplesmente a olhava. A convidava para uma cerveja, para um drink, schweppes com big Apple, uma caipirinha.
Convite aceito, bebidas no copo, conversas na mesa.
Despedida. Entrega.
O momento que fora adiado para outro dia, outro dia, aconteceu naquele dia. Há quanto tempo os olhos castanhos desejavam encontrar os olhos azuis? Ambos fechados enxergavam, encontravam, juntavam.
E o encontro que fora pensado tantas vezes, às vezes ensaiado nos pensamentos dela, nas conversas entre os dois não saíra do improviso. Havia timidez, havia dúvida e houve o beijo.
O nariz aproximou, sentiu o cheiro. O rosto sentiu a pele, a barba que fora feita quase recentemente, o calor. Os lábios procuravam. A respiração irregular. O encontro.
O beijo doce, quente, calmo. Como aqueles olhos.
Tranquilidade e um sentimento.
Apaixonante, leve. Como uma melodia. Aquela melodia calma, cativante, apaixonante. Suave.
O beijo fez e desfez. Os olhos convidavam.
Convites, atitudes.
Aqueles olhos azuis...

sábado, 26 de maio de 2012

Palavras camufladas


Palavras ditas em tom de brincadeira. Ironia cheia de verdade.

Alguns acham que é possível se esconder atrás de palavras complicadas ou de deboche. Outros preferem permanecer em silêncio, evitando a possibilidade de algum julgamento. Verdades disfarçadas rondam o ambiente.

Algumas culturas acham importante dizer o que pensam, mesmo que não seja algo agradável para aquele que ouvirá. Por outro lado, outras se preocupam muito com tudo o que será pensado, ficam incomodados com uma situação devido ao medo de a reclamação resultar em mágoas.

Mas, afinal, o que é certo? O que é errado? Seria melhor dizer uma verdade dolorosa a uma pequena mentira? É melhor esconder sentimentos do que ferir alguém ou evitar que o próprio coração seja atingido?

Dúvidas, dúvidas, dúvidas... Por onde andam as respostas?

terça-feira, 22 de maio de 2012

Status de Relacionamento


E de repente veio àquela fase misteriosa. A fase de fugir, esconder, reaparecer.
A fase de viver, aproveitar, gozar.
A fase de reviver, sentir, tentar.

E era essa a fase. E era assim que as coisas fluíam nos dias de sumiço e reencontro. Ela se perdia no mundo, no tempo e se reencontrava nele. Naquele sorriso, naquelas mãos, naquele toque, naquele beijo, sentindo aquele cheiro.
Eles se reencontravam depois de um telefonema ou um acaso. Um encontro proposital, ou surpresas.
Era aquele telefonema de madrugada, quando ela apostava com a sorte e a pontualidade do ônibus se iria ou não pra casa. Era aquele SMS comprometedor, delicioso.
E era assim que ela vivia aqueles dias. Dias em que se perdia e se encontrava, nem sempre na mesma cama, mas sempre se encontrava na mesma companhia.
Não havia esperança de evolução, mas era complicado deixa-lo partir.
Ele estava presente sempre. Na cor do esmalte, no corte do cabelo, no calor das cobertas, no chuveiro, e na saudade.
E era assim que eles eram.
E assim ela estava.
Status de relacionamento: perdendo tempo.

sábado, 5 de maio de 2012

E ele...


E às vezes o que você mais quer dizer se torna tão complexo e difícil como tentar decifrar aquele cara do bar de ontem.
Pessoas são complexas, eu me considero complexa, mas ele seria o complexo n elevado ao enésimo número fatorial... Se bem que mesmo com a inexistência do finito desse número poderia limitá-lo.
Ele era assim: um círculo. Uma tentativa de subornar a si próprio. Impossível decifrá-lo, pois na verdade ele era o próprio enigma tentando se esconder ou se entender. O ser humano compreensivelmente inflexível, carinhosamente egoísta, e sabiamente esperto demais para conseguir aprender algo novo. Tão certo que seu ponto fraco era o excesso de pontos fortes.
E essa incompreensão, essa complexidade invadem quando o que você mais quer é escrever algo diferente disso...
E você não foge disso.
E você sabe o motivo.

Mas não pode e não quer admitir.

domingo, 29 de abril de 2012

E éh...


E o tempo passa... as coisas mudam.
De repente você se vê numa situação que era para ser diferente, mas já faz parte do seu cotidiano há muito tempo.
E antes a rotina era acordar, cuidar dos afazeres, escola, casa. E antes você achava a rotina cansativa, monótona.
Você desejava almoçar e dormir um pouco, curtir a soneca pós almoço, mas a aula te impedia de respeitar seu desejo. Ou era a louça, ou qualquer coisa do tipo... e  antes era isso.
Quem não olha para o antes e sente saudades?
Saudades de almoçar em casa, de comer a comida que era feita com carinho, mesmo que às pressas. Saudades de saber onde guardar as compras depois que chegava do supermercado.
Saudades das brigas sem importância, saudades de gritar pedindo um espaço em casa, no sofá, ou na mesa.
Há quanto tempo você está ausente das decisões? Há quanto tempo você não conduz o carrinho, carrega as sacolas ou guarda as compras? Há quanto tempo você ficou tão ausente que não participa do dia a dia da casa? Não dividem os afazeres domésticos ou não disputam pela liderança do rádio?
E em certas horas você se vê só. Sem aquela companhia risonha na hora de lavar a louça, na hora de dividir as tarefas, ou até mesmo na hora de deitar. Você está sozinha numa cama gigante. E se sente a mais menor das pequenas.
E nessas horas você pensa que não tem com quem discutir a escolha do filme, o estilo da música... você não tem dúvidas, pois só depende de você.
E você assiste o que é de sua vontade, faz conforme lhe cai bem, e é assim... você está só.
E tem horas que bate aquela saudade da chatice que implica com você, que critica seus gostos musicais, que decide o filme que quer, e toma o controle das suas mãos.
E nessas horas dá saudade de um abraço, um aconchego, um cafuné, uma voz...
E nessas horas você percebe que o mundo girou, pessoas se foram, pessoas estão indo e outras chegando...
E você ainda sente falta da companhia de cozinha, de filmes, de bebedeiras, bobeiras, companheiro de tudo e de nada.
E nessas horas você sente saudade de quando era estudante do colegial...
Da época que sua chateação era não poder dormir depois do almoço, de que era um saco guardar as compras do supermercado...
E nessas horas... o coração aperta, espreme... e não há em livro algum que explique como se deve proceder.
Além de se deixar sentir... sentir saudades.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Entreterimento


Fecho os olhos. Tento identificar cada som, cada barulho, cada sussurro. Escuto os carros na rua. O trânsito parece calmo.

Percebo que está chovendo. Nada muito forte, apenas aquela chuvinha gostosa de ouvir quando se está em casa. O vento está suave. Arriscaria dizer que é apenas uma brisa.

O interior da casa está encoberto pelo silêncio. Sem televisão ou rádio ligado. É possível ouvir apenas o tic tac do relógio da parede.

Percebo então uma respiração tranquila, timidamente acompanhada pelas batidas de um coração. Agora, com meus olhos entreabertos, observo você... me analisando profundamente.

Na cumplicidade de um sorriso, abandonamos nossos devaneios.

Um abraço.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Vontades em comum


A vida parece querer pregar peças. Pega o caminho escolhido e o leva de encontro ao princípio, ao ontem. Tem como intenção nos fazer andar em círculos. Seria o motivo saber qual será a nossa reação ao passarmos por uma situação já conhecida?


Sei que não devo. O amanhã já é um velho conhecido. O coração olha para aquela tentação com interesse crescente e a mente tenta dissuadi-lo de cair no mesmo erro. Mas seria isso um erro?



Razões são criadas para justificar a ação. Seria como tentar tapear, não só a mente, mas o coração também. Algo que tente convencer de que tudo não passa de “vontades em comum”. Tudo foi calmamente desenhado, sem falsas esperanças ou sonhos irreais.

Entretanto o dia ainda não acabou. O resultado desse momento ainda não se mostrou. Será que ainda é possível reescrever o final?