domingo, 5 de junho de 2011

Procura-se um coração


 
Ele se perdeu há muito tempo.
Talvez nem reconheça mais a quem pertence.
Talvez nunca tenha pertencido a ninguém.
Desaparecido.

Aos poucos abandonou a felicidade,
Aos poucos desistiu do amor,
E assim se esqueceu de cada sentimento,
Um a um.



A sua dona não se lembra mais.
Nada movimenta a calmaria em seu interior.
Uma paz solitária e sem sentimentos.
Talvez apenas a tristeza ainda sobreviva.

Hoje é como se nunca tivesse se apaixonado,
Hoje é como se nada a atraísse.
Ela se esqueceu de como é viver intensamente,
Mas mesmo não se lembrando, ela sente que algo está faltando.

Então ela tomou uma decisão:
Começou a procurar aquilo que perdeu há tanto tempo.
Mesmo sem saber se seu sistema de defesa rejeitará o retorno dos sentimentos.
Mesmo sem saber se o coração a aceitará de volta...


Procura-se um coração.


sábado, 4 de junho de 2011

Real. Ilegal. Sonho


Parece um sonho. Irreal e até mesmo ilegal.
Todos avisam, alertam.

É comum não saber o que se sente ao certo? É comum não entender o que o coração quer dizer? É comum não entender os sinais que a vida dá?

De um lado sempre próximo, na vida diária, no MSN, emails, telefonemas, mesnagens, embora muitas vezes também distante tenho a um.
De outro lado, o distante do distante, o ausente do MSN, de e-mails, de telefonemas, mensagens tenho o outro.

É como na música que diz: um me faz feliz, mas o outro me faz tão bem.
E algum seria real?
A ilegalidade em ter dois, amar a dois, querer a dois, desejar dois.
A realidade de ser só, ter apenas, nada.
Parece o sonho, a vida que poderia ser, que poderia ter, poderia... ia.. talvez.

E já dizia Renato Russo “E quem irá dizer, que existe razão?”

Um é meu Eduardo, o oposto, o contrário. Cargas opostas que se atraem, distraem, precisam. Sinto falta do Eduardo, do certo Braga, do cara com quem me apaixonei, mudei, distorci, cresci, amadureci, aprendi.
Eduardo, um certo Braga. Uma pessoa essencial na vida de uma pessoa que antes era a “errada, errante, sempre na estrada, sempre distante”.

O outro sou eu de calças. A igualdade incomoda, atrapalha. Faíscas de sinônimos, que se transforma em paixão. A comodidade. O espelho d’alma. É você no outro, o outro em você.
...

E você se vê tão os dois. A mudança causada pelo Eduardo te faz sentir uma Braga, Você no outro faz lembrar-se de quem é você.
Li um livro onde anjos e demônios faziam duelo na terra. Duas denises duelam dentro de mim.
O que seria real? Será que há alguma ilegalidade?
Ou tudo não se passa de um sonho?

Boa noite!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por ai

Perfeito!
até meio irreal, não?!

Esclarecimentos

Às vezes também se pergunta:
Até onde existe a realidade nos contos. Nos textos, nos desejos, nos sonhos.
Não há uma realidade? Uma vez que o sonho, pela psicanálise, são avisos. Eles trazem à tona os complexos e sugerem alternativas para a consciência realizar o que a pessoa é potencialmente.
Há a realidade no sonho. Há a realidade na escrita, há a realidade no conto.Embora, contraditoriamente dentro dela algo não quer ser real.
Não quer amar o amado. Não quer desejar o desejado.
Deseja que o real seja fictício. Tem medo de o sonho ser real. Teme e deseja.
Contraditório seria, digamos que: interessante.

Amaria conseguir ter, admitir, deixar sentir.
Antagônico, contraditório. Irreal.

O amor dela, o amor próprio e o amor ao amado.
Duas faces da mesma moeda.
E o conflito está nos turnos.

“Nossa vida e nossa história se constroem nos dias em que estamos acordados e nas noites em que dormimos e sonhamos. A psique diurna, consciente, e a psique noturna, inconsciente, apesar de diferentes, se completam para o todo que somos.”

Na vida diurna, tudo sobre controle, o amor próprio. Na vida noturna, o sonho, o desejo, o inconciente. O amor ao amado.


Real e fictício. Tão real quanto fictício, mais real do que fictício.

"Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos."
Carl Jung

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Amor & Vida - Vida & Amor

18 meses de ausência. Distância. Sem palavras ditas, ouvidas. Sem toques, pele.
18 meses de saudade. De imaginação. De sonhos, de letras, de cartas, e-mails.
18 meses de uma vida nova, uma vida diferente. Uma vida... Vivida na ausência do toque, do cheiro, da pele.


Um dia de fuga. A tão esperada hora do reencontro. Semanas a mais de distância.


Conflitos na volta, brigas, apertos, abraços, choro. Sorriso.


5 meses de convivio. 5 meses ignorando o desejo. 5 meses de mentiras sinceras. 5 meses e o nunca mais aconteceu.


A ausência não passou de milésimos de segundos.

A saudade se dissipava.


O encontro acontecia.


Um olhar, um gesto, uma saudade, uma vontade, um desejo.
Olhos quentes, coração palpitante, mãos trêmulas, olhos úmidos.
Olhos nos olhos, coração no coração. Viagem no interior do outro. Lábios nos lábios. Toque no toque.
Cama, lanche, amor.

Vida vivida na presença. Vida, amor, amor é vida, e a vida é o amor.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sem mais




Foi ali, debaixo da água que tudo se tornou claro.

Quantos dias anulou seus pensamentos?

Quantos dias ignorou a si própria?



Não foi o cheiro do shampoo, não foi o sabonete.

Foi a água que lavou os seus olhos, limpou seu coração.

Neutralizou seus desejos.

Ou ao menos tentou.



Uma tentativa válida. Uma tentativa... Mais uma entre tantas.



A tentativa de encarar, de pensar, desejar. Falar.

A tentativa de ter, ver, saber, sentir. Preencher.



Uma ação. Uma melhora.

Um amor. Um recomeço.



Uma nova pessoa.

Assexuada, talvez.

Mas uma pessoa de amor.



A amada, amante.

Dela mesma.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quem nunca se enganou?


Me enganei. Quem nunca se enganou?

Achei que tivesse melhorado meus julgamentos. Que conseguisse entender um pouco o que o olhar transmite. Errei. Achei que sapo era príncipe e que o príncipe era sapo. Onde me perdi? Qual foi a encruzilhada em que peguei o caminho incorreto.

Ou seriam os olhos que aprenderam a mentir? Fingir algo que não são.

Ingenuidade minha? Sempre pensei ser esperta. Ao me aventurar nas entrelinhas dos seus gestos e buscar pelos pensamentos mais sinceros. A realidade parecia tão clara. Ou a mentira parecia tão real...

Julguei mal. Não quero aquele que finge ser certinho, mas o que é verdadeiro ao ser errado.