quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

E assim percebemos que...



Segundos. Minutos. Horas.

Quando percebemos o dia passou, o ano acabou e a vida... deixou de ser vivida.

Na correria do dia a dia abandonamos os detalhes. Sem perceber paramos de admirar a beleza do nascer do sol e a graciosidade de uma noite estrelada. A brisa, que toca suavemente o rosto, é completamente ignorada.

Os livros acumulam poeira em um canto do quarto. Os filmes entram e saem de cartaz. Os teatros já não são visitados há tempo. As músicas famosas são desconhecidas.

As conversas são esquecidas e as mensagens deixam de ser respondidas. Os sorrisos suspeitos já não atraem a atenção. Os olhares não estão mais sincronizados. O brilho se apaga, pouco a pouco.

E a vida... deixou de ser vivida.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Apaixonar-se


E quem não deseja apaixonar?
Enamorar-se, encantar-se. Viver por alguns instantes em outro mundo. Ser teletransportada para outro mundo.
Oscilar neste vão.
O apaixonar-se é isso.
Pode ser equiparado ao fato de ler. Você abre o livro e é teletransportada para um outro mundo. Você abre o coração para uma nova paixão e o mesmo acontece.
Diferentemente do que acontece quando se lê, você não precisa parar tudo para ir.
De repente, não mais que de repente, você vai.
O pensamento invade todo e qualquer instante. Você pode estar concentrada e de repente despluga, desconecta e lá se vai.
Viaja estando ali.
Quantas vezes não me peguei fazendo algo e de repente desconectei, viajei, e só fui perceber quando retornei. Já tinha se passado minutos, os quais não soube contabilizar.
Ahhh enamorar-se é isso.
É ver um objeto que tantas vezes ignoramos e dar a maior atenção a ele, pois ele nos faz lembrar algo, ele nos faz lembrar alguém, algum momento.
É o vidro de esmalte, a coca-cola, tequila, ou a escova de dente.
Uma caneta, um bilhete, um nada.
Tudo é motivo para lembrar.
É durante o banho, pós banho, salão, maquiagem.
Aquele ursinho de pelúcia, o copo, o jeito como a janela é aberta.
São os emotions, emoticons, reticências...
São as palavras, as mensagens, a voz. Lembranças, pensamentos.
O cheiro, o vento, o sol, a chuva.
Um churrasco, uma caipirinha, até mesmo a água.

Tudo é diferente, tudo é motivo.
Estar apaixonado é quase isso. É compreender o incompreensível.
É viajar sem sair do lugar.
É mais do que ler, é ser.
Ser o romance.

...

Uma observação mínima acorda o inconsciente para sempre.
Quanto maior o amor, mais insignificante a origem.

- Carpinejar

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Just Believe

"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra. 
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles


E é tudo tão estranho. Parece que deu branco, parece que desativou. Parece que chegou ao fim.
Talvez seja isso. Talvez não.
Acredite que não é por falta de vontade, não é por falta de saudade, ou falta de interesse.
Talvez eu mesma não saiba achar a explicação, mas acredite que todos os dias me pergunto e procuro o real motivo.
Talvez esteja nas minhas justificativas. E é dolorosamente simples, perdi minha essência, perdi minha vida, perdi minha inspiração.
Os dias estão corridos, a agenda superlotada, mas e dai? Desde quando foi o contrario? Sempre arrumamos um jeitinho de sair da rotina, mas acreditem, aqui é diferente. Sou diferente. É complexo, mas simples.
Vivo no mundo taylorista, na era da produção? Talvez sim. Produzo, enriqueço.
O dia está cheio, o tempo todo programado. Tudo sai conforme planejado, mas e quem disse que o planejamento é o que desejo?
Desejo sair sem rumo, decidir na esquina qual direção devo virar, improvisar um tempo para tomar uma caipi com a Liliane, ver um filme com Nairoca, ou simplesmente passar do horário no meu (ex) ambiente de trabalho. Ligar bêbada, mandar mensagens aleatórias, ter vontade de comer coisas imagináveis e estranhas. Desejo, desejo.
Desejo reencontrar meu eu. Minha essência.
E não só desejar ligar, mas ligar.
Não só planejar ir, mas ir.
E quem disse que seria fácil? Alguém?
Mudei-me e mudei. Vim atrás dos meus sonhos, objetivos e metas, mas não sei onde fiquei.
Acredito que por ai... Minha inspiração, minhas molecagens... E espero que um dia possamos nos encontrar e eu irei contar, que valeu a pena isso.
Valeu a pena se distanciar, valeu a pena as horas de choro. Valeu a pena ter se separado, ter se perdido para reencontrar.
E... É isso.
Mais posts, quando houver inspiração.
Abs.,

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Eterno 21


E ja estava disposta a deixar esquecer. 
Acordou com o pensamento em você. Lembrou de você desde o momento que abriu os olhos, talvez durante o sonho você também estivesse presente. Durante seus hábitos matutinos, lembrou de você. Do papel higiênico colocado no suporte. Da única escova de dente na pia.
Você a acompanhou em pensamento durante o percurso até o trabalho, sentou ao seu lado na mesa do café e pediu que ela bebesse um pouco de suco antes. Hábitos seus, hábitos de vocês. Do que tinha sido vocês.
E você nao a deixou ali. Fez parte do dia. Preencheu o cheque. Esteve ali na data, dia 21. Mais um mês, mais um dia. Uma comemoração do que não eram mais.
E esteve ali, estava ali. Ficou ali.
No serviço,  em casa, na academia.
E ela foi deitar mais cedo. Pegou  um livro.
Ali estava você. No dia dela. Nos minutos, nos instantes. Nos detalhes.
E ela tentou dormir. E que o dia acabasse e te levasse.
Mas antes da meia noite, o cachorro se soltou. E a lembrança voltou.
Ate isso, fez o pensamento ir a você.
Por quê? Simples: A merda esta nos detalhes.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Reencontros


"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida"

Diferentemente da música. Ele não entrou, mas sim saiu. Agiu contrariando o romantismo, nada de palavras carinhosas saiu pela porta e mudou a vida dela mesmo sem querer.
Ambos seguiram a vida. Ele e os estudos, ele e as construções, ele e sua vida que seria completamente diferente sem ela. Adolescência estendida. Mulheres, bebidas, curtição.
Ela seguiu também. Formou, namorou, construiu, destruiu. Mudou, voltou a estudar. Tentou esquecê-lo. Tentou não pensar nele e por muito tempo conseguiu.
Ignorou aquele pensamento, ignorou aquela fisionomia. Ignorou seus desejos e vontades.
Seguiram.
E eis que um dia o destino provoca o reencontro. Agora era a vez de ela entrar pela porta, uma pessoa completamente diferente do que foi um dia. Enquanto ela chegava, ele já estava ali.
Assim estava ela: sem saber qual pé deveria por a frente para seguir caminhando, o descompasso de sua respiração a atrapalhava pensar, agir. Era ensurdecedor o barulho que seu coração fazia ao vê-lo. Era desordenado tudo que acontecia com ela. O tempo parava para que ela se recompusesse.
Pé frente pé. Sorrisos. Coração a mil. Cumprimentos. Beijinhos no rosto. Toque sutil.
E estava ali. Diante dele... A impressão era de que o tempo tivesse sido cruel com ele. Sua expressão, seu cansaço eram nítidos.
Ao mesmo tempo parecia que o tempo não tinha passado quando os olhos se encontraram. Aqueles olhos que já leram tantos sonhos, tantas vontades, mentiras, paixões... Aqueles olhos estavam ali. Perfeitamente lipídios, descansados, joviais.
E era isso. Olhos que se leem. Orgulho que se tem.
Vidas que seguiram que deverão seguir.
E foi a vez dela sair por aquela porta. Mãos que desajeitadamente quase se tocaram no "tchau".  Palavras carinhosas ensaiaram sair de sua boca. Letras escreveram a felicidade. E ela saiu. Teria de seguir, mas levando consigo a saudade.
Dos olhos, das mãos, dos sorrisos, companheirismo.
Levou consigo a certeza de que irá demorar um tempo para esquecer o encontro.
O outro encontro e o outro...
E a despedida.
Mãos que desencontraram. Um passado que já planejou futuro. E um futuro desfeito.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ambições


O desejo pela fruta proibida. A tentação por aquilo que não é possível alcançar. Algo que antes não era considerado importante, começa a ser visto como vital. Pode se dizer que o “não” tem um forte poder em fazer com que se deseje intensamente o “sim”.

Confusões. Brincadeiras. Seduções. Como em um jogo de cartas, aqueles dois indivíduos se divertem. A chama do fogo os atrai, prendendo a atenção. O perigo é visto com um passa tempo delicioso.

Os olhares não se desviam mais. Cada movimento é observado cuidadosamente, servindo como base para as próximas ações. Os lábios permanecem silenciosos e... suspeitos. Estão a ponto de pronunciar palavras aparentemente sem sentido. Entretanto, apenas alguns sorrisos maliciosos são apresentados.

Mais uma vez as cartas zombaram daqueles dois jogadores. O empate era a representação fiel de que suas estratégias eram semelhantes. Talvez uma parceria ao invés de uma competição seria responsável por um resultado positivo para ambos... talvez!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Doce melodia



 

Ao longe era possível ouvir uma melodia. Tão discreta e singela que era difícil decifrá-la. Apesar disso, cada nota tocava o coração. A concentração aumentava e ao mesmo tempo a mente se dispersava. Os pensamentos percorriam as lembranças mais agradáveis.


Antes que percebesse as lágrimas percorriam delicadamente seu rosto. Mas não era a tristeza a responsável, pelo contrário, era a mais pura alegria de ter aquela pessoa especial em cada pedacinho da memória.